terça-feira, 29 de junho de 2010

Evoluindo...

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Fonte: Desconhecida (recebido via e-mail pessoal)



sexta-feira, 11 de junho de 2010

Cansei dos Cansados!


José Barbosa Junior

Cansei!

Não agüento mais ler textos do tipo “a igreja não presta”, “Deixei a igreja para ser cristão”, “a religião é uma porcaria”, “depois que abandonei a igreja é que entendi o que é ser cristão”, etc...

Não! Não falo daqueles que, ao criticarem a religiosidade (e não a religião) e o institucionalismo (e não a instituição), nos desafiam a, em comunidade, buscarmos um meio de “oxigenarmos” algo que parece estar empoeirado e sem vida.

Os que criticam, mas permanecem DENTRO, lutando para que o monstro perca a viscosidade e o lodo que assim lhe fizeram e que se volte ao “primeiro amor”, ou à missão integral... estes têm meu respeito e admiração. Faço coro com eles.

Mas cansei daqueles que falam por falar... que entraram na moda (sim, porque agora é moda) de detonarem a instituição por nada! Gente que não tem compromisso com um grupo local e que, através deste, quer mudar o quadro triste em que nos encontramos não tem meu tempo, que já é escasso, para seus exercícios de “francos-atiradores”.

Cansei daqueles que vociferam contra a “instituição oficial” e criam “instituiçõezinhas” paralelas, com a mesma estrutura, mesmo “formato”, mesma liderança... até porque são formados pelo mesmo tipo de problema da “religião”: pessoas!

Cansei da “apologética” que nada mais é que um humor nonsense , desprovido de compromisso com a Palavra, sem propostas significativas para o que se fazer “no lugar de”. A estes, cabe a mesma crítica que faço ao liberalismo teológico: destroem sem ter nada para construir depois.” Isto é iconoclastia, e não crítica construtiva! Esses nunca souberam o que é a apologética e envergonham aqueles que nos séculos de cristianismo a fizeram às custas de muito estudo, cuidado e zelo.

Cansei!

Cansei porque mesmo achando a RELIGIOSIDADE um câncer no meio da igreja, entendo a religião como algo inerente ao ser humano, que já nasce com essa “falta”, com esse desejo de se “re-ligar” a algo ou alguma coisa. Bater na religião por causa da religiosidade é como desfazer-se da política, como ciência e realidade de um povo, por causa dos políticos e do mau uso que fazem daquilo que deveria ser bom.

Cansei porque mesmo considerando um absurdo e um abuso o que muitos pastores fazem em relação ao dinheiro, sugando literalmente o suado trabalho de seus “fiéis”, valendo-se de ameaças e maldições para aqueles que não lhes entregam os bens, ainda acredito na liberalidade e na validade ainda para hoje dos princípios de sustento e manutenção da obra através de dízimos e ofertas, como frutos de gratidão e consciência.

Cansei porque mesmo não fechando os olhos para os inúmeros pastores pilantras e suas igrejas alienadas, ainda acredito que haja gente séria à frente de ministérios sérios e que há, SIM, igrejas onde a instituição está a serviço do povo e não o contrário. Acredito que aqui e ali, ainda encontramos gente sincera, honesta e que quer realmente ser igreja, UNS COM OS OUTROS, porque entenderam que NÃO EXISTE IGREJA SEM COMUNIDADE!

Cansei porque mesmo sabendo das imperfeições da igreja local é justamente por isso que entendo a graça manifesta no meio da comunidade, onde há a troca de experiências, o “suportar-se uns aos outros”, onde o defeito do outro não é maior que o meu (antes me ensina e me alerta), e JUNTOS, experimentamos da graça que nos une, perdoa e nos transforma dia-a-dia, na nova criação de Deus, sinalizando seu Reino de justiça e amor, apesar de nossas imperfeições.

Cansei!

Quero fazer diferença onde eu estiver, no meio do povo, sem pensar que “me excluindo é que consigo realizar o que Cristo quer”. Isso não existe.

Repito: Só há cristianismo ou “evangelho do Cristo” como preferem os puristas, na vida em comunidade, porque mesmo Deus desconhece a solidão, e existe em comunidade: a trindade! Quando dizemos que podemos viver a vida do Cristo sozinhos, ofendemos a Deus e sua unidade na diversidade trinitariana.

Cansei, mas minhas forças se renovam ao ouvir gente como Ed Rene Kivitz, Ricardo Gondim, Carlos Novaes, Ricardo Barbosa, Valdir Steuernagel, Robinson Cavalcanti, entre outros... que mesmo reconhecendo a fragilidade (e acho que essa fragilidade é boa) e os defeitos da instituição, a criticam para mudá-la, colocando-a no devido lugar, como serva das pessoas que se reúnem e não como senhora de seus desejos e caprichos.

Àqueles que criticam por criticar... que “cansaram”, mas estão “descansando em seu cansaço”, perdoem-me... cansei de vocês!

Fonte: Crer e Pensar


segunda-feira, 17 de maio de 2010

Era uma igreja muito engraçada...




















Era uma igreja muito engraçada

Não tinha culto, não tinha nada.

Lá Deus não ouve minha oração

Só do apóstolo com sua unção.

O lenço dele é uma tristeza

Mas tá curando que é uma beleza.

Lá não se fala contra o pecado

Porque não rende nem um trocado.

E os seus membros tão enganados

Pois o Evangelho não é pregado.

E Cristo aqui é só um curandeiro

Que troca a bênção por seu dinheiro.

Lá nós falamos língua de anjos

Desde as crianças até os marmanjos.

E nessa igreja encontrei “vitória”

Mas eu não sei se vou para glória.

E abocanhado fui por um lobo

Que o tempo todo me fez de bobo…

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Integridade é isso: John Piper, o maior pregador de sua geração pede licença para cuidar de sua própria alma.



John Piper, pastor da Igreja Batista Bethlehem, pediu um semestre sábado, de 1 de maio a 31 de dezembro de 2010, para submeter sua vida ("minha alma, meu casamento, minha família" e ministério) a uma revisão por parte do Espirito Santo.

Neste período, disse ele: "Não escreverei livros. Não haverá preparação de sermões ou pregações. Não escreverei nos blogs. Nem no Twitter. Não haverá artigos. Não haverá reportagens". Só haverá uma exceção.

A carta em que Piper anuncia seu afastamento deve suscitar em todos os pastores uma meditação profunda. Ei-la:

"Como muitos de vocês já haviam escutado no sermão dos dias 27 e 28 de março, os presbíteros amavelmente aprovaram no dia 22 de março um recesso ministerial que me levará a me ausentar-me da [igreja batista] Bethlehem a partir de 1º de maio até 31 de dezembro de 2010. Entendemos que seria útil poder explicar isso por meio de uma carta que acompanhasse este sermão.

Pedi aos presbíteros considerar esse recesso devido a um crescente sentir no meu interior de que minha alma, meu casamento, minha família e o padrão que tenho levado no ministério necessitam de uma revisão de parte do Espírito Santo. Por um lado, amo o meu Senhor, a minha esposa, os meus 5 filhos e suas famílias, primeiro e antes de tudo; e amo meu trabalho de pregar, escrever e conduzir a Bethlehem. Eu espero que o Senhor conceda-me pelo menos 5 anos como o pastor de pregação e de visão [planejamento ministerial] na Bethlelem.

Mas, por outro, vi algumas manifestações de orgulho na minha alma que, ainda que não tenham chegado ao nível de me desqualificar do ministério, entristecem-me profundamente e têm cobrado um alto preço na mina relação com [minha esposa] Noël e outros que são muito queridos para mim. Como posso me desculpar com vocês, não por algo em particular, senão por defeitos que são contínuos em meu caráter e em seus efeitos sobre os demais? Falarei disso agora, e não duvido que terei de dizer novamente, “perdoem-me”. Como não tenho um fato específico ao qual apontar, simplesmente peço por um espírito de perdão. Asseguro-lhes o mais [firmemente] que posso que não estou fazendo as pazes, senão que estou em guerra contra meus próprios pecados.

Noël e eu estamos sólidos como uma rocha quanto ao nosso compromisso um com o outro, e não há uma pontinha sequer de infidelidade de nenhum dos dois lados. Mas, como disse aos presbíteros, “sólido como uma rocha” não é sempre uma metáfora que satisfaz emocionalmente, sobretudo a uma mulher. Uma rocha não é a melhor imagem da terna companhia de uma mulher. Em outras palavras, o precioso jardim do meu lar necessita ser cuidado. Eu quero dizer a Noël que ela é preciosa para mim de uma forma que, neste momento de nossos 41 anos de peregrinação, pode ser melhor dito ao retirar-me por um tempo de quase todos os compromissos públicos.

Nenhum casamento é uma ilha. Para nós isto é certo em dois sentidos. Um é que Noël e eu somos conhecidos tanto de dentro até a por fora por alguns amigos da Bethlehem – mais ainda por nossos colegas e amigos de há muito tempo, David e Karin Livingston, e logo por um grupo de mulheres confiáveis para Noël e de homens para mim. Prestamos contas, somos conhecidos, temos sido aconselhados e [eles] têm orado por nós. Eu estou profundamente agradecido pelo espírito de graça, transparência e confiança que existe entre a liderança da Bethlehem.

A outra forma em que nosso casamento não é uma ilha é que nossas fortalezas e debilidades têm sido conseqüências para os demais. Ninguém em nosso círculo familiar e de amigos permaneceu sem ser afetado por nossos defeitos. É minha oração que este recesso possa chegar a ser de sanidade a começar pelo interior da minha alma, por meio do coração de Noël, até alcançar a nossos filhos e respectivas famílias, e até todos aqueles que têm sido ferido pelos meus erros.

A diferença entre este retiro e o [retiro] sabático que fiz há 4 anos [2006] é que escrevi um livro durante este sabático ("Mandamentos de Jesus para o Mundo"). Em 30 anos, nunca deixei a paixão de ser produtivo publicamente. Neste retiro, tenho a intenção de deixar tudo. Não escreverei livros. Não haverá preparação de sermões ou pregações. Não escreverei nos blogs. Nem no Twitter. Não haverá artigos. Não haverá reportagens. Existe só uma exceção neste caso – o fim de semana dedicado à Conferência Nacional do Desiring God [Desejando Deus] com a inauguração do Bethlehem College and Seminary em outubro próximo. Noël pensou que eu devia manter três dos compromissos internacionais. Nossa motivação é que ela poderia acompanhar-me nisso, e se planejarmos bem, essas poderiam ser ocasiões especiais para refrigério juntos.
Os presbíteros designaram a um grupo que se mantenha em contato comigo e aos quais eu possa prestar contar durante este recesso. Eles são David Mathis, Jon Bloom, Tom Steller, Sam Crabtree, Jon Grano, Tim Held, Tony Campagna, e Kurt Elting-Ballard. Cinco deles caminharam junto de Noël e de mim pelos últimos 2 meses, ajudando-nos a discernir com sabedoria o alcance e a natureza deste retiro. Eles foram quem levaram a recomendação final aos demais presbíteros no dia 22 de março.

Pedi aos presbíteros que não me remunerassem durante o recesso. Não sinto que se deva pagar. Eu sei que estou causando mais trabalho para muitas pessoas, por isso peço desculpa a todo o grupo da liderança. Não só isso, mas outros também poderiam ter um tempo similar. Muitos dos homens e mulheres que trabalham não têm a liberdade de dar-se um recesso como esse. Os presbíteros não aceitaram o meu pedido [de não receber sustento]. Noël e eu estamos profundamente agradecidos por essa manifestação de amor. Estaremos buscando direção do Senhor para ver de que forma podemos retribuir à igreja este suporte financeiro que nos ofereceram para, de alguma maneira, aliviar a carga.

Pessoalmente, vejo esses próximos meses como uma espécie de recomeço do que espero que sejam os 5 anos mais humildes, felizes e frutíferos dos 35 anos que estamos em Bethlehem e dos 46 de casamento. Vocês podem me acompanhar em oração por esse propósito? E vocês podem permanecer junto a sua igreja (Bethlehem) com todas suas forças? Que Deus faça desses 8 meses os melhores que Bethlehem já tenha conhecido. Seria algo que Deus faria: o fazer as coisas mais extraordinárias do mundo quando não estiver aqui. “Assim que nem o que planta nem o que rega é algo, senão Deus que dá o crescimento.”(I Coríntios 3.7)

Eu amo vocês e prometo orar por vocês todos os dias.
Fonte: Genizah
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Comentário do Eclesia
Neste tempo de aridez na liderança evangélica, é um refrigério ver homens assim.
Que Deus continue abençoando este grande homem de Deus, e nos sempre faça transparentes assim.
Marcelo Batista Dias

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Educação que dá frutos, dá trabalho!



No artigo anterior fiz uma crítica aos pais (principalmente cristãos) que sonegam educação verdadeira aos filhos e jogam a culpa de seus fracassos no mundo, no caso, na rede Globo. Neste gostaria de fornecer algum embasamento bíblico a fim de desafiar esses pais a uma mudança de postura.

Há um ditado chinês que diz: “Uma geração planta árvores e outra aproveita a sombra”. Este sábio provérbio nos ensina pelo menos duas coisas: primeiramente que o processo de educação de nossos filhos é algo que provavelmente não nos trará qualquer tipo de lucro; e que este processo é trabalhoso, exige tempo e dedicação. Nenhuma árvore sobrevive sem este cuidado constante. Assim também, nossos filhos não sobreviverão neste mundo escaldante sem um trabalho constante de educação.

É exatamente isso que o texto de Deuteronômio está nos ensinando. Moisés alerta o povo para a necessidade de uma educação constante. Os pais deveriam estar ocupados com a educação de seus filhos, mesmo enquanto estivessem cuidando de suas ocupações rotineiras.

Nos momentos de descanso caseiro, nos passeios ao ar livre, das primeiras às ultimas horas do dia, não importa, lá devem estar os pais ensinando seus filhos as coisas de Deus.

Além disso, Moisés destaca que o ensino cristão não deve apenas fazer parte do discurso dos pais, mas também de suas vidas e essência. A Palavra do Senhor precisa estar no coração dos pais e deve ser vista em suas atitudes e obras diárias.

O problema é que muitos pais cristãos dos nossos dias, tem buscado sombra e água fresca no processo de educação de seus filhos. Estes, sem perceber, estão os expondo a um deserto escaldante e terrivelmente mortal, seja no aspecto físico, moral ou espiritual.

Se quisermos ver nossos filhos desfrutando de uma boa sombra no futuro, devemos nos esforçar mais no trabalho de educá-los. Sim porque toda educação que produz frutos dá trabalho.

Que Deus tenha misericórdia de nós.

Marcelo Batista Dias

quinta-feira, 18 de março de 2010

Globofobia – Uma mera desculpa para omissão.

Eu não sou globofóbico. Fico muito estressado quando recebo aqueles spans de crentes que só sabem jogar a culpa de todo mal moral da nossa querida sociedade brasileira em cima da rede Globo. Não vi ainda nenhum crente repudiar a Record por apresentar as mesmas coisas que a Globo apresenta – homossexualismo, adultério, relativização das relações e toda sorte de males que só se enxerga na Globo.

Também não sou defensor da referida rede de televisão. Não é preciso muito esforço intelectual para perceber o quanto ela trabalha para influenciar nossa sociedade.

Não é só no BBB que há apologias explícitas ao homossexualismo. A Globo este pegando mais pesado e indo ainda mais baixo. A apologia ao homossexualismo chegou à Malhação. Isso mesmo. Nossos adolescentes, e mesmo pré-adolescentes, estão sendo bombardeados com o dilema de um garoto que está se descobrindo homossexual. A trama é muito sutil e leva o adolescente a se identificar com o sujeito, sentir pena dele e até mesmo defender que seu homossexualismo não é nada de mais. Ele deve se assumir. Ele é normal. É apenas uma opção sexual.

Não me assusta a Globo fazer isso. É pra isso mesmo que ela está aí. O que fazer então? Proibir nossos filhos de assistirem televisão? Deus sabe como eu gostaria de quebrar a minha lá em casa!... Mas creio profundamente que não isso que se deve fazer.

O problema moral que tem moído a juventude de nossas igrejas não é culpa da Globo. É culpa dos pais. Os pais cristãos estão cada dia mais omissos. Pais que não sabem orientar seus filhos. Não estou falando de falar mal da televisão. Estou falando de pais que não tiram mais tempo pra ensinar as Escrituras a seus filhos em casa. Pior ainda é a quantidade de pais que não vive as Escrituras nem em casa e nem na rua.

O problema não é a Globo. O problema é o compromisso cristão de educação de filhos que foi “pras cucuias” (do mineirês: foi para o espaço). Por isso tenho verdadeira ojeriza desses spans de pretensos crentes espirituais que só sabem criticar a televisão e fecham os olhos quanto à educação cristã no lar. Pais que estão entregando a educação de seus filhos à igreja como se fosse dela a obrigação de manter-lhes puros. Pais que não entendem o que de fato significa Provérbios 22.6.

Salomão orienta ensinar a criança NO caminho e não O caminho que se deve andar. Isso implica em pegar nossos filhos pela mão e levá-los conosco no caminho. É colocá-los ao nosso lado e mostrar com a própria vida o que de fato é ser cristão. Ensinar a Palavra de Deus com palavras e com vida, dia-a-dia, o tempo todo.

Repito: não sou defensor da Globo. Mas não posso ver os crentes se afastando cada dia mais do evangelho e jogando a culpa disso no diabo. Essa é a função dele. A nossa é “resistir-lhe firmes na fé”. E devemos fazer isso amando e ensinando a Palavra de Deus a nossos filhos para que possam por si mesmos se defenderem do mundo mal em que estamos vivendo.

Marcelo Batista Dias

terça-feira, 16 de março de 2010

Democracia é...


O governo do demônio! Numa etimologia “meio” distorcida é exatamente isso. Veja bem: Demo=demônio; cracia=governo. A etimologia está errada, mas temo que o significado não. Pelo menos no que se refere à igreja evangélica contemporânea.

Uma das piores coisas que aconteceram para a igreja cristã é a tal de democracia. Com o advento do governo do povo na igreja, o governo de Deus “perdeu força”.

Basta dar uma olhada ao redor para constatar a derrota que esta tal democracia tem causado à igreja. Aclamam-se líderes que Deus não chamou. Adoram-se “vasos” que Deus não moldou. Pregam-se palavras que não falou. Têm-se visões que Deus não deu. Falam-se línguas que Deus não fala nem falou. Sonham-se sonhos que Deus não sonhou. Vive-se um cristianismo que Cristo não viveu.

É claro que a culpa não é da democracia, mas de quem a exerce – o povo. O povo cristão de nossos dias é volúvel, moldável e demasiadamente ingênuo (ou não).

O governo de Deus é monárquico autocrático. Não é despótico. Mas também não é democrático. Deus governa sozinho sua Igreja. Ele não divide sua glória com ninguém (Is 42.8; 48.11). Ele exerce seu governo na Igreja por meio de Cristo, o/a Cabeça (Cl 2.10,19). Por sua vez Cristo exerce o governo de Deus por meio da Palavra (II Tm 3.16,17).

É preciso entender urgentemente que os líderes que não se submetem à Palavra de Deus estão ignorando Seu governo sobre a igreja. São lobos vorazes que querem o rebanho para si. São rebeldes infiltrados com o fim de subverter o Reino. Devem ser rechaçados, ignorados, repudiados todos aqueles que negligenciam ou torcem a Palavra de Deus para seu próprio bem. Do contrário a igreja vai cada vez mais de mal a pior.

Que Deus tenha misericórdia de nós!

Marcelo Batista Dias

quinta-feira, 11 de março de 2010

Pérolas!



"Um cristão verdadeiro é uma pessoa estranha em todos os sentidos. Ele sente um amor supremo por alguém que ele nunca viu; conversa familiarmente todos os dias com alguém que não pode ver; espera ir para o céu pelos méritos de outro; esvazia-se para que possa estar cheio; admite estar errado para que possa ser declarado certo; desce para que possa ir para o alto; é mais forte quando ele é mais fraco; é mais rico quando é mais pobre; mais feliz quando se sente o pior. Ele morre para que possa viver; renuncia para que possa ter; doa para que possa manter; vê o invisível, ouve o inaudível e conhece o que excede todo o entendimento."
A. W. Tozer

Depois de muito tempo sem escrever, eis-me aqui a publicar esta verdadeira pérola.

Tozer resumiu com simplicidade e profundidade a verdadeira vida cristã. Vida esta que em nada é semelhante à vida cristã pregada de muitos púlpitos de nossos dias. Esse paradoxo maravilhoso da vida cristã que encanta e desafia, que fortalece e desanima, que aprova alguns e reprova muitos.

Cristãos assim são verdadeiras pérolas. São fruto de um processo interno, lento e muitas vezes doloroso. Uma reação intensa contra os "grãos de areia", a "poeira" do caminho, que insiste em invadir suas mentes e o corações. O resultado porém é realmente precioso. Verdadeiras pérolas para glória de Deus.

Que Deus nos ajude e nos faça cristãos de fato assim.

Marcelo Batista Dias



quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Cansei de crentes spans...

Primeiro eu recebi isso no meu e-mail...
REPASSANDO...

VAMOS REPASSAR PARA CADA SERVO DE DEUS FIEL E DE CARÁTER.
QUE NÃO HAJA OMISSÃO DOS VERDADEIROS CRISTÃOS
DEUS ABENÇOE SUA VIDA

A paz do Senhor!

Vigiemos e oremos. Nossos filhos, nossos lares, nossas vidas de santidade e transformação não podem ser contaminadas com tal conduta. O crente assiste, mas o servo não!








E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
Romanos 12:2


O espírito de Sodoma e Gomorra se manifestou na globo. Dia 13, no BBB 10

Homem beija outro homem na boca, em programa de maior audiência da rede globo de televisão: BIG BHOTHER BRASIL. Diretor diz, que não teme polêmica, nem a comunidade evangélica, pois a comunidade evangélica é desunida e omissa.

O que isso tem a ver com a fé? Beijo GAY inaugura BIG BHOTHER Brasil 10 . O que você tem com isso? Seu filho pode ser a próxima vitima. Ló morava em Sodoma e sua esposa pagou com a vida. Suas filhas se corromperam e se tornaram incestuosas.

E sua família? Sua filha, seu filho, em que irão se transformar? O que você pode fazer? VAMOS PARAR DE ASSITIR O BBB.10. E MOSTRAR QUE A COMUNIDADE EVANGÉLICA NÃO E OMISSA, NEM ESTÁ DOMINADA PELO ESPIRITO DE SODOMA E GOMORRA.

Envie esse e-mail para todo crente verdadeiro, que você conhecer e vamos mostrar que não concordamos com essa imoralidade e afronta ao Deus dos cristãos. Se você quer ver o Brasil abençoado, diga não à GLOBO e a essa imoralidade


Depois eu respondi assim...



Bom Pessoal é o seguinte...



Primeiramente penso que este tipo de atitude não mostra caráter cristão. Creio que não deveria ser pedido a nenhum cristão de verdade que pare de assistir a esta BBBesteira. Isso porque no meu entendimento, nenhum cristão de verdade deveria estar assistindo a isto muito menos permitindo seus filhos assistirem. Mas eu não conto, porque segundo alguns, sou fundamentalista demais.


Se quisermos fazer real diferença temos que tomar algumas atitudes muito mais severas que mandar uma corrente de e-mail pedindo aos crentes que façam um boicote, que como já disse, jamais precisaria ser pedido.


Temos que começar mudando de caráter mesmo. Deixando ser apenas mais um grupo segregado dentro de um país de segregações - os evangélico, os cristãos, crentes ou qualquer outra nomenclatura que queiram nos dar.

"O crente assiste, mas o servo não!"


Qual é a diferença entre crente e servo?


Para mim todo crente deveria ser servo e todo servo um crente.
O problema é que muito crente deixou de ser servo. Temos um grupo imenso de religiosos evangélicos que só vão à igreja ou para receber alguma coisa, ou para cumprir seu ritual tradicional de domingo. Em casa, no trabalho, na escola, na faculdade ou em qualquer outro lugar são como todo mundo - mentem, sonegam, traem, e fazem tudo o que as pessoas de fora do "gueto" também fazem.


Que diferença isso faz?


Se quisermos fazer diferença, façamos um manifesto publico através de meios de comunicação que atinjam muito mais que apenas o nosso circulo comum de amigos ou irmãos. Um manifesto que ultrapasse as barreiras do gueto. Deste linguajar gospel da boca pra fora.
Que sejamos em todo lugar verdadeiros imitadores de Cristo. Ele deu a cara a tapa literalmente e não apenas subjetivamente como muitos de nós estamos fazendo.

Só assim poderemos fazer alguma diferença.


Me desculpem aqueles que me não me conhecem. Foi um desabafo de um cristão que cansado de receber estes spans que verdadeiramente não mudam em nada o caráter da igreja cristã do nosso país, nem influencia verdadeiramente nossa sociedade.


Sei que a intenção de quem redigiu este e-mail foi muito boa e não julgando exclusivamente o seu caráter cristão, seja quem for você. Mas basta dar uma olhada em nossas igrejas e em nosso "povo" para perceber que é preciso muito mais que um e-mail bem intencionado para mudar a influencia cristã em nosso país.



Ninguém, nenhum cristão vai fazer a globo deixar de mostrar o que está mostrando se apenas desligar sua Tv no horário do BBB ou de qualquer outra programação.
É vivendo o evangelho que se muda uma sociedade. Como disse João Alexandre


"Enquanto o domingo ainda for nosso dia sagrado, e em nome de Deus se deixarem os feridos de lado... enquanto o pecado ainda for simplesmente o pecado, vivido sentido embutido espremido e pensado... enquanto se canta e se dança de olhos fechados, tem gente morrendo de fome por todos os lados... o Deus que se canta nem sempre é o Deus que se vive não, pois Deus se revela, se envolve, resolve e revive..."


"Quem conhece a Deus não pode ouvir e se calar, tem que ser profeta e sua bandeira levantar, transformar o mundo é uma questão de compromisso...
É muito mais e tudo isso".


Que Deus tenha misericórdia de nós.

Marcelo Batista Dias




quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Ano novo... Mundo velho.



O ano de 2009 se foi, mas os dias permanecem iguais. Não estamos nem a quinze dias corridos de 2010 e as tragédias que aconteceram desde o inicio do ano já superaram as tragédias do ano passado e com sobra. Somente o terremoto destes dias no Haiti deixou um rastro de destruição e morte muito maior que as tragédias com as chuvas em nosso país deixaram durante todo o ano anterior.

Uma pergunta surgiu em meio a tantos acontecimentos caóticos: “o que está acontecendo com nosso mundo”?


A resposta da Bíblia é: o mundo está agonizando as dores do pecado. Paulo mostra isso em Rm 8:22 quando diz que “toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora”. Essas angústias e dores da criação são o efeito do pecado sobre todo o cosmos. Cada acontecimento caótico do mundo contemporâneo tem sua origem no Éden. O pecado destruiu o homem e o “seu” mundo. Contudo Paulo fala também que a criação está ardentemente esperando “a revelação dos filhos de Deus” (v.19). Mas a que revelação Paulo se refere?

Apesar de alguns grupos de cristãos pensarem assim, Paulo não está falando da influência cristã sobre o mundo. Paulo não está dizendo que quanto mais os cristãos se reproduzirem e revelarem ao mundo, melhor o mundo vai se tornar. É impossível fazer deste mundo um mundo melhor. Mesmo se enchêssemos as nações de numerosos grupos cristãos isso jamais se tornaria realidade. Este mundo como conhecemos está fadado a ser eliminado.


A Bíblia fala de “novos Céus e nova Terra”. Ela jamais falou de céu na Terra. A revelação que a criação aguarda é o Grande Dia. O Dia em que das alturas virá o Senhor da Glória para resgatar seu povo e sua criação. O Dia em que serão expostos todos os pensamentos e todo íntimo de todo homem no grande julgamento final ante o tribunal de Deus. Estes acontecimentos são o prenúncio deste Dia.

Até que este dia chegue, nenhum ano novo trará algo realmente novo. Como disse Salomão “não há nada de novo debaixo do sol”. Só nos resta orarmos em favor deste mundo. Suplicar a graça de Deus sobre os povos vitimados. Anunciar o evangelho do reino, único remédio para aliviar as dores causadas pelo pecado. E é claro, estender nossa mão de amor e socorro àqueles que estão envolvidos nestas tragédias.
Que abençoe os haitianos e tenha ainda mais misericódia deles.


Marcelo Batista Dias

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Fechados para Balanço


Estamos chegando ao fim de mais um ano. É muito comum algumas empresas se fecharem por um dia para fazer o chamado ‘balanço financeiro’. É quando os empresários reúnem seus funcionários para contabilizar perdas e ganhos, e apurar o lucro do trabalho durante o ano.


Com certeza todos temos perdas e ganhos, tristezas e alegrias para contabilizar. Por isso quero te convidar a fazer um balanço de sua vida durante este ano que se vai. Não apenas uma retrospectiva, mais uma análise pessoal do que passou. Abaixo vou listar algumas perguntas que podem ajudar nesta empreitada.

Qual é o saldo de tudo que Deus te permitiu viver este ano? O que você aprendeu com as situações vividas? Você cresceu mais espiritualmente? Permanece na mesma situação do ano passado? Ou será que as coisas pioraram?

Você soube aproveitar os momentos que Deus te deu com sua família? Abraçou seus filhos e sua esposa ou esposo, ou mesmo seus pais, quanto pôde? Quantas vezes você lhes disse o quanto os ama? Você manifestou amor e carinho aos seus demais parentes? Soube ou conseguiu perdoar aqueles que por ventura te ofenderam?


Como foi seu compromisso com Deus este ano? Você dedicou tempo a Ele? Você orou suficientemente? Leu a bíblia regularmente? Se envolveu com ou em Sua Igreja?


Depois de pensar e analisar bem sobre estas questões acima, pense no que fazer para mudar o que precisa ser mudado. Por favor, NÃO faça promessas de fim de ano! Normalmente as esquecemos antes do final de janeiro. Apenas faça o que precisa ser feito. Se disponha. Se envolva. Se dedique ao que precisa ser dedicado. Acima de tudo, ORE!

Os meus mais sinceros votos são que tanto eu como você, possamos viver um 2010 muito melhor do que o 2009 que vivemos. Que sejamos mais comprometidos com nosso Senhor. Que O amemos mais que todas as coisas. Que nos amemos uns aos outros cada vez mais. Que sejamos ricos em perdoar, abraçar, ajudar, sorrir, enfim... amar.

Que Deus nos abençoe.
Feliz 2010!

Marcelo Batista Dias

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

"Infinita (gospel) Highway"




Sempre me perguntei o porquê do sucesso de um livro para falar de uma ‘Igreja com propósito’. Lendo Francis Shaeffer[1] eu descobri. A Igreja de hoje precisa disso porque está vivendo um misto de niilismo e existencialismo cristão.

Tudo na igreja evangélica contemporânea se resume em como você pode satisfazer-se ou expressar sua vontade. Como alcançar sua prosperidade financeira. Como viver sem problemas. Como fazer um louvor ‘a-bem-suado’. Como se sentir bem em um ‘culto’.

Vivemos como se estivéssemos numa “Infinita (gospel) Highway[2]” . “Nós não precisamos saber aonde vamos, nós só precisamos ir (...) sem motivos, nem objetivos, estamos vivos e é só”. É assim que muitos crentes estão vivendo. Não sabem a que igreja pertencem. Não sabem o que vão fazer na igreja e muitos nem sabem onde vão parar.

É simples. Pergunte aos crentes das nossas igrejas modernas: porque você vai à igreja? As respostas da maioria provavelmente serão: “Eu vou para sentir a benção de Deus, o mover do Espírito”. “Eu vou lá buscar minha benção”. “Eu vou à igreja para me preparar para a semana de trabalho, recarregar ‘minhas pilhas espirituais’”.

É uma vida sem sentido. Não há propósito nisso. É apenas o ‘eu’ e ninguém mais. Demos o ‘salto’ e tudo o que importa é a experiência interna de cada um. É o arrepio que sobe dos pés à cabeça que move os crentes. De experiência em experiência, de salto em salto. Assim os crentes de hoje vivem de momentos.

Caminhamos como Caetano, “contra o vento, sem lenço, sem documento”. E assim não fazemos diferença. A não ser aquela que causada pela oração da propina.

E é por causa disto, que estou ao ponto de parafrasear Jean Paul Sartre e dizer que nos dias de hoje: “O 'crente' é uma paixão inútil”.

Contudo, quero concluir, dizendo que tudo o que disse não passa de uma generalização. Nem todos são assim. Creio nisso principalmente pelo fato de saber que Deus não se deixa sem testemunho fiel. Não sou pessimista nem niilista como Sartre. O que disse é o que vejo na maioria das igrejas.

Mas... quem foi que disse que o povo de Deus é ou será maioria???

Que Deus tenha misericórdia de nós.

Marcelo Batista Dias


[1] Francis A. Schaeffer, A Morte da Razão. São Paulo: ABU, 2007.

[2] Composição: Humberto Gessinger - Engenheiros do Hawaii

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Viva a sociedade alternativa!




Até meus 15 anos de idade fui fã do Raulzito. Tinha um pôster no meu quarto e uma porção de K7’s do ‘maluco beleza’. Tirando as ‘coisas ruins’ até sobra algumas coisas boas dele. Não podemos negar, por exemplo que foi um grande filósofo e poeta.

Pensando na igreja evangélica brasileira, me lembrei de uma de suas musicas – Sociedade Alternativa - em parceria com o Paulo Coelho.

“Faz o que tu queres, pois é tudo da Lei”. Este é o lema que direciona boa parte do evangelicalismo brasileiro.

Não tem problema se você precisa passar por cima de alguém para ser “abençoado”. Não tem problema receber uma “propinazinha” de vez em quando. Não tem problema adulterar, roubar, mentir, perjurar, trair, enganar, sonegar... Principalmente se um “vaso” te trouxe uma “profecia”. Desde que seja com ações de graça e um louvor ‘abençoado’ tudo pode!

Criaram uma “sociedade alternativa gospel”. Essa “sociedade” tem linguajar próprio, moda própria, música própria, política própria, economia própria, vícios próprios, costumes próprios, e justificativas próprias para esconder ou “explicar” sua falta de ética.

Entendo que a Igreja de Deus não é deste mundo. Paulo e Pedro nos chamam de peregrinos. E mais, Jesus Cristo disse (Jo 17) que nós não somos deste mundo. Contudo, foi Ele mesmo que disse que o Pai não nos tirasse do mundo, mas sim que nos guardasse do mal. Assim, não somos do mundo, mas estamos no mundo. Não para criarmos essa tal “Sociedade Alternativa”, mas para na sociedade vigente, vivermos como cidadãos dos céus.

Assim que Deus tenha misericórdia de nós e nos livre dessa armadilha diabólica. Dessa segregação religiosa. Desse gueto gospel. Que sejamos cristãos no mundo e para o mundo. Que vivamos a ética do Reino, e não criando uma “ética” própria para fingirmos que não somos culpados.

Que Deus tenha misericórdia de nós!

Marcelo Batista Dias

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

JESUS ERA ….. PERIPATÉTICO


(Max Gehringer)

Fonte: André Fonseca

Numa das empresas em que trabalhei, eu fazia parte de um grupo de treinadores voluntários. Éramos coordenados pelo chefe de treinamento, o professor Lima, e tínhamos até um lema: ‘Para poder ensinar, antes é preciso aprender’ (copiado, se bem me recordo, de uma literatura do Senai).


Um dia, nos reunimos para discutir a melhor forma de ministrar um curso para cerca de 200 funcionários. Estava claro que o método convencional – botar todo mundo numa sala – não iria funcionar, já que o professor insistia na necessidade da interação, impraticável com um público daquele tamanho. Como sempre acontece nessas reuniões, a imaginação voou longe do objetivo, até que, lá pelas tantas, uma colega propôs usarmos um trecho do Sermão da Montanha como tema do evento.E o professor, que até ali estava meio quieto, respondeu de primeira.


Aliás, pensou alto: – Jesus era peripatético…


Seguiu-se uma constrangida troca de olhares, mas, antes que o hiato pudesse ser quebrado por alguém com coragem para retrucar a afronta, dona Dirce, a secretária, interrompeu a reunião para dizer que o gerente de RH precisava falar urgentemente com o professor. E lá se foi ele, deixando a sala à vontade para conspirar.


- Não sei vocês, mas eu achei esse comentário de extremo mau gosto – disse a Laura.


- Eu nem diria de mau gosto, Laura. Eu diria ofensivo mesmo – emendou o Jorge, para acrescentar que estava chocado, no que foi amparado por um silêncio geral.


- Talvez o professor não queira misturar religião com treinamento – ponderou o Sales, que era o mais ponderado de todos.


- Mas eu até vejo uma razão para isso…


- Que é isso, Sales? Que razão?


- Bom, para mim, é óbvio que ele é ateu.


- Não diga!


- Digo. Quer dizer, é um direito dele. Mas daí a desrespeitar a religiosidade alheia…


Cheios de fúria, malhamos o professor durante uns dez minutos e, quando já o estávamos sentenciando à fogueira eterna, ele retornou. Mas nem percebeu a hostilidade. Já entrou falando:


— Então, como ia dizendo, podíamos montar várias salas separadas e colocar umas 20 pessoas em cada uma. É verdade que cada treinador teria de repetir a mesma apresentação várias vezes, mas…


Por que vocês estão me olhando desse jeito?


- Bom, falando em nome do grupo, professor, essa coisa aí de peripatético, veja bem…


- Certo! Foi daí que me veio a idéia. Jesus se locomovia para fazer pregações, como os filósofos também faziam, ao orientar seus discípulos.


Mas Jesus foi o Mestre dos Mestres, portanto a sugestão de usar o Sermão da Montanha foi muito feliz.

Teríamos uma bela mensagem moral e o deslocamento físico… Mas que cara é essa?… Peripatético quer dizer ‘o que ensina caminhando’.


E nós ali, encolhidos de vergonha. Bastaria um de nós ter tido a humildade de confessar que desconhecia a palavra que o resto concordaria e tudo se resolveria com uma simples ida ao dicionário. Isto é, para poder ensinar, antes era preciso aprender.


Finalmente, aprendemos. Duas coisas. A primeira é: o fato de todos estarem de acordo não transforma o falso em verdadeiro. E a segunda é que a sabedoria tende a provocar discórdia, mas a ignorância é quase sempre unânime. (negrito do blog)


(Artigo escrito por Max Gehringer publicado na Revista VOCÊ SA.)


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Comentário do Eclesia


Não pude deixar de notar a pertinencia deste texto logo quando li. Especialmente a parte em negrito.


A experiencia do Max é uma fantástica exposição do caótico quadro do evangelicalismo brasileiro. Eu sei que minha generalização dói, mas fazer o quê?


A realidade é que estamos discursando sobre o que na maioria das vezes não sabemos, ensinando coisas que na maioria das vezes não experimentamos, e criando caso por coisas que a gente na maioria das vezes não entende.


Fala que não é assim que a maioria dos crentes (especialmente os "evangélicos") brasileiros vive?


Mas quero me ater de fato na conclusão do Max.


A primeira é uma afirmação direta para aqueles que gostam de ir com a maioria. Só porque a maioria das igrejas canta, a maioria dos pastores prega, a maioria dos crentes falam não quer dizer que essas heresias propagadas como por exemplo a confissão positiva, teologia da properidade, profetas e profetadas, são verdadeiras. A mentira do diabo na boca dos mercadores do evangelho, não se torna verdade de Deus só porque é confessada pela maioria dos pastores e alguns bispos e 'apóstolos' por aí.


A segunda afirmação para mim então é fantástica! Quando estamos vivendo em ambiente academico percebemos que o academicismo produz muitas divergencias. Mas nada produz mais discórdia, confusão, marcas e dores do que a IGNORÂNCIA. Ela é realmente unânime.

Como dizia o profeta:


"O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento." Oseias 4:6


Que Deus tenha misericórdia de nós!

Marcelo Batista Dias




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