domingo, 22 de dezembro de 2013

Manual de Comemoração do Natal

Talvez você esteja pensando: “Mas não preciso saber de mais nada para comemorar o natal. Basta saber que é Natal! Não precisa de manual!”. Mas... você sabe o que é comemorado no Natal? “Dã! O nascimento de Jesus”- você diz. Mas você sabe realmente o que significa o nascimento de Jesus? Não? Você precisa entender algumas coisas para comemorar o Natal de forma correta. Deixa o evangelho de João te ajudar.

Deus/homem: Um ato de humilhação: João 1.1,2 e 14 - Significa que Deus, o grande criador do céu e da terra, Aquele que de quem tudo existe e depende para existir, o grande Senhor, soberano, Deus, o Filho “se fez carne e habitou entre nós”. O criador se fez criatura. O Senhor se fez escravo. O riquíssimo se fez pobre, não apenas se vestiu de pobre, mas se fez pobre. O Todo-Poderoso se fez fraco. Isso é humilhação. No nascimento de Jesus não ouve festa, músicas, ninguém reuniu a família e os amigos para comer canja, nada. Apenas mugidos, balidos, moscas, e um cheiro de excremento naquele curral. A única festa foi dos anjos ao avisar os pastores no campo. Isso não significa que temos que tratar o natal como um funeral, mas que temos que respeitar e entender o fato de que Deus se fazer carne é um ato de grande humilhação. Mas porque ele se humilhou tanto?

Homens em trevas: João 1.6-13: João Batista nasceu para anunciar Jesus, que é a “verdadeira luz que vinda ao mundo ilumina todo homem”. Ou seja, Jesus nasceu porque o homem estava (e ainda está) em trevas. Estas trevas são tão densas que o ser humano não consegue enxergar corretamente nem a si mesmo, nem a Deus. Nenhum um palmo na frente do nariz. Por causa dessas trevas o homem se acha muito melhor do que de fato ele realmente é. Por isso Jesus foi rejeitado. Rejeitado por aqueles que, se esperava, o amassem e o honrassem: seu povo, os judeus, em primeira instância, e os demais homens em uma segunda instância (se entendermos que todos que foram criados por ele, lhe pertencem por direito de criação, são suas criaturas). Mas aqueles, e apenas aqueles, que são iluminados por Ele, e creem, por Sua própria vontade e não dependendo de alguma coisa que fizerem de bom para isso, é que recebem o status de “filhos de Deus” e passam a ser seus de direito por adoção. E é assim somente que o homem em trevas pode enxergar a si mesmo e a Deus – João 1.18.

A luz que acende com sangue: João 1.29: Mas como Jesus ilumina o homem? O que ele faz? Ele se sacrifica e é sacrificado pelo Pai para eliminar a grande nuvem que encobre Sua luz de nós – o pecado. Para isso, Ele nasceu como cordeiro, como sacrifício, para a cruz, para ser sacrificado. No tempo de João as pessoas criam que deuses podiam vir ao mundo e se misturar com os homens. Mas nenhum deus grego seria um cordeiro, um sacrifício pelos homens. Ao contrário. Na mitologia grega em geral os deuses são iracundos, vingativos, exploradores dos homens. Mas Jesus não. Ele é o Deus único e verdadeiro, princípio de tudo que existe e nasce para morrer pelos homens que o ofenderam e pecaram contra Ele. Jesus traz luz ao homem. Uma luz que se acende com sangue.

A escada para o céu: João 1.43-51: Mas para quê Jesus fez isso? Para ser a única escada de acesso a Deus. Você leu direito, “para ser”. Jesus não veio para nos apontar a escada, nos levar até ela, nos dar um plano de como construir a escada. Ele veio para SER a escada. De tal forma que a única comunicação que há entre o céu e a terra é por meio de Jesus, e de mais ninguém. A única forma de chegar a Deus é por meio de Cristo. Por meio de um relacionamento profundo com Ele, estando Nele, vivendo para Ele e por Ele.
Enfim... só tem sentido você comemorar o Natal como Natal de verdade se você entender isso. Se não, a única coisa que você vai fazer é passar mais um feriado com sua família, comer e beber e nada mais. Não podemos desassociar o nascimento de Cristo de sua vida e obra. Sem a cruz, a manjedoura não tem sentido. E se “seu Cristo” é o menino de Belém, você pode estar na mais densa escuridão, ainda.

Feliz Natal.
Marcelo Batista Dias

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Como nossos pais

Eu gosto de MPB. Não sou um ouvinte assíduo, mas admiro algumas músicas do nosso vasto repertório nacional, especialmente daquela geração dos anos 70 e 80. Uma destas músicas é “Como nossos pais” de Belchior, que ficou famosa na voz de Elis Regina.
A parte que mais me chama a atenção na música, é o coro que diz: “Minha dor é perceber, que apesar de termos feito tudo o que fizemos; ainda somos os mesmos e vivemos, ainda somos os mesmos, e vivemos como os nossos pais”.
Ela me chama a atenção para o fato de que, não adianta avanço tecnológico, social, econômico, intelectual, ainda somos os mesmos e cometemos os mesmos erros do passado.
O ser humano não muda, exceto pelo seu contexto sócio-econômico-cultural. Essencialmente continua sendo o mesmo. Buscando uma satisfação, uma razão de ser, algo que vá além daquilo que ele tem no momento. Uma distração, um disfarce, algo que lhe faça superar a sensação de fracasso e desespero.
Na época de Belchior e Elis era a luta pela liberdade de expressão. Em 1976, época da composição da música, a ditadura militar no Brasil reprimia toda expressão cultural livre que criticava o regime. Alguns foram mortos outros exilados por causa de sua arte e crítica ao sistema.
Em nossos dias é o culto ao entretenimento, à diversão. A busca pela emulação dos sentidos, pela produção de sensações, sem limites, sem pudor, apenas a busca pelo prazer, em nome da liberdade de ação, e livres de qualquer tipo de reação (uma contradição a uma lei básica da física).
Na época de nossos pais, as aspirações podiam ser diferentes (e para mim mais elevadas, superiores), mas a ansiedade é a mesma.
Esta é a dura realidade: vai ano, vem ano, e as pessoas, especialmente os jovens, tanto da minha geração, como das novas gerações, continuam da mesma forma. Buscam satisfação, sentido, cometendo os mesmos erros dos seus antepassados, ou seja, olhando para baixo, para si mesmos, ao invés de olhar para cima, para Deus.
Foi Agostinho quem disse: “Fizeste-nos para ti e inquieta está nossa alma enquanto não repousamos em Ti”. Deus é a única fonte de plena satisfação para o ser humano, que foi criado à Sua imagem e semelhança, que procede de Suas mãos, que possui um fôlego de vida soprado por Ele em suas narinas.
Creio que já passa da hora de nossa geração se despertar para esta realidade. Digo não apenas aqueles que não crêem ou não buscam a Deus, mas inclusive os que se dizem evangélicos, que à semelhança de muitos de nossos antepassados, tem substituído o prazer em Deus e sua glória, pela satisfação das coisas deste mundo.   
Que sejamos ousados em “não ser como nossos pais”, no sentido de que nossa plena satisfação de viver esteja em Deus, na pessoa de Jesus Cristo seu filho que se deu por nós na cruz, para satisfazer por todo sempre essa sede que temos por dentro, na alma.

Marcelo Batista Dias

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A Estrangeira de Cristo

Lição escrita para a Revista Rhêmata, publicada pelo PLVA - 2° Semestre de 2013 - Fundamentada no Livro de Rute.

Em todo romance há um personagem que mexe com o imaginário dos leitores
. Geralmente é aquele que no início da trama sofre as mais difíceis situações. Ele nos cativa e não é raro nos encontrar torcendo para ter um final feliz.
O livro de Rute é como um romance. Um romance primoroso. E que final feliz para vida de Rute e Noemi! Este final feliz que lemos acima faz de Rute um romance único em si, por ser um tipo do “Romance da Graça de Deus”.
Rute, a estrangeira desprezada, é inserida no povo de Deus e se torna ascendente do Redentor. Nenhum autor de novela poderia escrever uma história mais impactante que esta história escrita e dirigida pelo Senhor nosso Deus. Uma história com a qual identificamos nossa própria redenção.

1.   O começo angustiante
A história de Rute não podia começar de um modo mais trágico. Casou-se com um forasteiro que se mudou para sua terra. Seu nome era Malom (4.10). Malom significa ‘doente, fraco’, e tendo em vista que os nomes na cultura israelita antiga eram dados em razão de características físicas (Gn 25.25), situações políticas (1 Sm 4.21) ou tragédias familiares (Gn 35.18), não é difícil crer que Malom era um homem realmente doente. Por conta disso talvez, Rute tornou-se viúva ainda jovem. Isso sem contar com a sogra ranzinza.
Você teria coragem de viver ao lado de uma pessoa que lhe dissesse claramente que tudo que pode lhe oferecer é uma vida de amargura e dor (1.13)? Rute teve. Seu coração se apegou tanto a sua sogra que suas palavras viraram uma declaração de amor presente em muitos convites de casamento ao longo da história (1.16).
Que começo de vida difícil! Uma mulher viúva, longe de sua terra natal, vivendo ao lado de uma sogra amargurada (1.20,21), pobre, dependente de esmolas e da boa vontade de um povo que considerava seu povo como inimigo mortal (Jz 3.12).
E é assim que Rute chega a Belém: Humilhada. Mas não pensemos que tal humilhação se deu pelas circunstâncias adversas apenas. Estas podem até ter contribuído razoavelmente. Mas a grande razão de Rute estar assim foi sua própria atitude de auto-humilhação.
Ao contrário de sua co-cunhada, Rute rendeu-se aos pés de Yavé! Debaixo de Suas asas Rute veio buscar refúgio (2.12). Por certo ela ouviu muitos relatos de sua sogra sobre o Deus de Israel. E também ouviu “que o SENHOR se lembrara do seu povo” (1.6). Foi por isso que Rute se dispôs a tal humilhação. Para ela era melhor estar humilhada aos pés do SENHOR do que continuar confortável nas tendas dos falsos deuses de seu povo.
É exatamente assim que começa o romance da Graça de Deus. Ele primeiro desperta os olhos do mais vil pecador. Apresenta-lhe Seu glorioso Ser levando o indivíduo a se prostrar, se humilhar a tal ponto, que prefere sofrer angústias em Sua presença, a viver o falso gozo dos prazeres deste mundo. Foi assim que fomos confrontados com nossa própria realidade e chegamos totalmente humilhados aos pés do Senhor.     

2.   Um desenrolar inesperado
Tal atitude de Rute trouxe sobre ela algo que nem mesmo sua sogra esperava que pudesse acontecer. Todo o povo de Belém se compadeceu de tal maneira de Noemi e Rute que as portas se abriram para elas.
Já no primeiro dia de trabalho ela entra “por acaso” nos campos dum tal de Boaz que, depois de ouvir da boa fama da moça, acolheu-a e deu ordens aos servos para protegê-la e favorecerem-na na colheita (2.15,16).
O resultado foi tão surpreendente que sua sogra se espantou: “Onde colheste hoje? Onde trabalhaste?” (2.19). Na resposta da moça Noemi reconheceu a mão graciosa e beneficente do SENHOR. Tanto que insistiu com ela que não deixasse de atender às recomendações do homem e ficasse sempre com suas servas (2.22).  
A fama de Rute correu a cidade (3.11). E aquela moça estrangeira que tinha tudo para ser alvo de preconceito e desprezo era reconhecida como mulher virtuosa e recebida entre as servas de um bem conceituado fazendeiro israelita.
Quem imaginaria que uma moabita gozaria de reconhecimento no meio de israelitas!? Uma mulher ser valorizada por uma cidade inteira e ser reconhecida como virtuosa?! Somente o Deus da Graça poderia conduzir as coisas por tal caminho.
É assim que no romance da Graça os pecadores humilhados são tratados com especial honra e carinho. É assim que aqueles que são escravos do pecado são libertos do seu tirano senhor, e adquiridos como escravos do Bom e Justo SENHOR de toda Terra! E assim sendo feitos escravos de Deus, gozam de um status glorioso juntamente com Seus demais servos. Foi assim que de escravos do pecado e do mundo, tomamos parte no povo de Deus.

3.   Um desfecho glorioso  

Mas se Rute e Noemi já podiam estar surpresas com o que estava acontecendo, quanto mais com o que estava por vir!
Noemi com toda sua perspicácia, experiência, e sob a orientação da Lei do Senhor (Dt 25.5-10) resolve que fazer o possível para que Rute constitua uma nova família. Ela orienta a moça a procurar Boaz e avisar-lhe sobre seu direito de resgatá-la.
Diante das noticias dadas pela moça, Boaz se pôs a serviço para conseguir o que ele também queria – ter aquela valorosa mulher como sua esposa. Ao ser surpreendido pela moça (3.9-15) aquele homem se dispõe e envida todos os esforços para resolver a situação ainda no mesmo dia (3.18).
E lá foi o homem trabalhar. Procurou o outro resgatador, informou-lhe do resgate, do preço e da condição de resgatar também a viúva Rute. Ele ajuntou os anciãos da cidade e resolvida a questão, acertou o resgate – Rute será sua esposa!
Quem jamais poderia imaginar! Não bastasse ter sido recebida com carinho e apreço pelo povo de Belém, a estrangeira agora é parte da família! E não apenas parte da família de Jacó, ela é parte da família do Redentor Jesus Cristo! Que glorioso desfecho!
É assim também no romance da Graça! Nele pecadores arrependidos e auto-humilhados não encontram apenas uma boa recepção. Não são apenas recebidos como escravos do bom SENHOR. Eles são feitos Seus filhos! (Jo 1.12).
É assim que estrangeiros, gentios, alheios às alianças, estranhos às promessas, sem Deus no mundo, mortos nos seus pecados, são resgatados e unidos de tal forma ao Cristo redentor, que são agora família de Deus! (Ef 2.11-22).
Foi assim que nós fomos feitos filhos de Deus (Jo 1.13)!

Conclusão:  
Dizem por aí que a arte imita a vida. Mas no romance da Graça, a arte do Escritor é que cria a vida. O romance de Rute é um tipo do romance da Graça. Não é fictício, não é mera coincidência, é a mais deliciosa realidade.
Rute nos remete a lembrança ao nosso estado anterior de desgraça total perdidos num mundo doente, mortos em nossos pecados. Foi assim que sem esforço algum, sem que estivéssemos buscando, fomos apresentados ao SENHOR criador de todas as coisas e fomos levados em humilhação à sua presença.
Em chegando lá fomos tratados com indulgência ímpar. E não apenas fomos bem recebidos, mas nos tornamos parte da Família! Fomos comprados por preço como escravos, mas fomos feitos filhos! Maravilhosa Graça de Deus!

terça-feira, 29 de outubro de 2013

O Saldo de um fiel na Fiel

   Depois de pensar e refletir gostaria de apresentar um saldo daquilo que aprendi na Conferência da Editora Fiel, “O Deus Presente”, que tive o privilégio de participar.
   De um modo geral meu coração foi humilhado pela Palavra, ao mesmo tempo em que consolado pelo Deus que disciplina a todo aquele que ama. Percebo que cada dia mais concordo com Terry Johnson: "Eu posso entender porque sofremos. O que eu não posso entender é porque não sofremos mais"[1]. Ou seja, se sou assim tão pecador e o pecado é tão odioso diante de Deus que exige seu justo juízo, o fato de que Ele não me condena por meus pecados é graça e assim qualquer sofrimento menor que sua justa ira, é graça.
   Outra coisa que aprendi é que não precisamos de uma luz no fim do túnel pra saber que Deus é bom e que vale a pena confiar nele. Não preciso saber aonde as coisas vão, nem enxergar o fim do caminho. Só preciso confiar no Senhor.
   Aprendi ainda que Deus pode ouvir minhas orações e responder minhas súplicas mesmo quando não fala nada, pois até mesmo o silêncio de Deus, é uma resposta. E que Ele pode me dar paz, gozo e alegria, mas não tem obrigação de fazer isso sempre que eu quiser ou por quanto tempo eu desejar.
   E ainda, aprendi que o sofrimento que tenho vem de Deus mesmo e não do diabo. E Ele não deixa de ser bom por isso. Que consolo é saber que Deus me permite passar por tais provações! Se não fosse assim, que desespero seria!
   Quantas pessoas, crentes sinceros, estão desolados, com medo e sem esperança porque não conseguem crer na Soberania de Deus em meio ao sofrimento!
   Aprendi ainda que Deus é meu salvador, por isso, mesmo que já esteja farto de tanto sofrer, mesmo que já tenha chegado ao limite, nem por isso deixarei de falar com Ele e expor meu frágil coração. Pois mesmo que esteja ao ponto de desesperar da própria vida, não nos sobreveio provação que não possa ser suportada.
   Aprendi que conhecer a Deus é perigoso demais para o ego. E que conhecê-lo sem me conhecer de fato, é impossível. E que saber quem eu sou de verdade é doloroso demais, mas traz paz ao coração quando vem acompanhado do conhecimento de Sua Graça.
   Quando olho para a realidade de quem Deus é, conheço mais quem eu sou. E quanto mais entendo quem eu sou, mais glorifico a Deus por ser quem Ele é.
   Este é o "Deus Presente" de quem conheci um pouco mais no Congresso da Editora Fiel.

Marcelo Batista Dias


[1] Terry Johnson; A Doutrina da Graça na Vida Prática. Editora Cultura Cristã. 

sábado, 21 de setembro de 2013

SIN EMBARGO


Embargo infringente é um recurso cabível contra decisões não unânimes proferidas pelos tribunais em ações que visam à revisão das sentenças questionadas pela parte condenada. Ou seja, se um réu recebeu condenação no STF, mas obteve pelo menos 4 votos contrários à sua condenação, pode recorrer e ter direito a um novo julgamento. Foi isso que aconteceu no julgamento do “mensalão” nesta semana passada.

É um recurso que pode ser positivo, mas apenas se o indivíduo é inocente e tem como provar. Mas como no caso do “mensalão” os réus são comprovadamente culpados, este recurso é visto apenas como mais um jeitinho brasileiro para aprovar a impunidade tão conhecida em nossa nação. Tal coisa causa em nós uma sensação terrível de injustiça. Sentimos-nos solapados em nossos direitos mais básicos enquanto aqueles que se ocupam em roubalheiras mil se safam de modo fácil.

Contudo a Escritura é bem clara quando diz que haverá um dia em que um tribunal superior será estabelecido. Nele serão julgados todos os homens. Neste tribunal não caberá nenhum recurso especial. Todos os condenados serão penalizados com apenas uma exceção: aqueles que se arrependeram dos seus pecados e confiaram em Cristo serão salvos. 

O único recurso cabível naquele tribunal, portanto é se apegar desde já ao Advogado Fiel Jesus Cristo, que já recebeu a pena em si mesmo e oferece absolvição a todo aquele que Nele crê.

Cristo recebeu em si mesmo a punição dos erros daqueles que nele confiam. Ele foi condenado para que pudéssemos ser absolvidos. “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co 5.21).


Por isso devemos buscar dia a dia uma vida de arrependimento e fé em Cristo. Porque no tribunal de Deus, não existem embargos infringentes.

Marcelo Batista Dias

terça-feira, 23 de abril de 2013

O dia em que fiquei louco por Jesus

Ironia: On
Sim, eu fui na 'sexta louca por Jesus' com o Pr. Lucinho.
Meu dia de "louco por Jesus" foi fantástico. Cheguei no show... ops, na igreja, ao som de um maiores clássicos da teologia bíblica - segura na mão de Deus e vai.
Seguiu-se uma seqüência deliciosa de um maravilhoso e dançante soul. As letras eu nem me lembro, mas o balanço da galera... Foi demais!
Depois daquelas musicas, um eloqüente pregador falou sobre como é importante ofertar e como as sementes que lançamos nos terrenos de Deus prosperam, e de como nossa fé é viva.... Só não ofertei porque estava sem dinheiro.... Nao sabia que ia ser constrangido a isso. Se soubesse teria levado alguma coisa pra não me sentir tão deslocado....

Depois de um delicioso mantra, ops de novo, louvor abençoado para entrega das sementes, outro pregador apresentou a galera composta de crentes de varias denominações. Pensei que só eu da minha denominação estaria lá com minha família ( e olha que eu tive coragem de levar minha esposa, meu filho de 4 anos e minha filha de 2 meses. Não era pra ser louco? Entao!) mas me surpreendi com o grito dos eufóricos pebisterianos de plantão.

Depois de tudo isso veio uma maravilhosa, emocionante, inebriante, hilariante, exposição biiii.............ografica (pensou que eu ia falar bíblica?  ops! de novo).
Mas não foi da vida da Davi, de Paulo, nem mesmo de Jesus. Foi da vida do pregador. A vida daqueles outros lá parece não ter muita graça, nem provocam muita comoção nos ouvintes.
Ele falou com tanto entusiasmo que quase nem pareceu mais com um stand up!

Ironia: Off 
Quero deixar claro que não estou para denegrir a imagem do Pr. Lucinho.
Sua vida reflete muito da graça de Deus que eu também experimentei. Mas não sei os outros que ali estavam, digamos, interessados nisso.
Sua história é muito bonita, e interessante. Principalmente a parte que conta com emoção sobre a perda de sua mãe. A dor de perder alguém assim... Não se pode medir. Ofereço meus sinceros sentimentos a ele e sua família por isso. Ainda não perdi meus pais, mas sofri junto com gente que já.

Apesar disso, em um determinado momento ele contou que certa vez que a mãe dele o levou a uma festa da escola e lhe disse, na frente dos amigos, pra não ficar no sereno se não ele podia pegar gripe, e os amigos o zuaram por isso, ele falou assim: "ih mãe, com a senhora por perto nem precisa do demônio". Achei de péssimo gosto pra quem disse era apaixonado pela mãe.

Ironia: On(de novo. Não se esqueça de ligar senão você não vai me entender)
Mas o que eu acho que ficou mais na mente do povo foi aquela do bezetacil. Quando ele disse que parece que enfiaram o demônio numa seringa.... A galera rachou de rir. Inclusive eu, quase não me contive de tanto rir por dentro. Até porque já tomei bezetacil....

Em certo momento meu filho me disse que tava demorando muito. Essas crianças de hoje em dia... Quanta sabedoria! Não preciso dizer que ele não precisou insistir muito né...

Bom... Não sei como terminou. Não fiquei ate ao final. Sabe como é....  Uma exposição bíblica assim incomoda muito a gente que não é lá tão louco por Jesus assim...

Ah! Lembrei! O texto lido foi o Salmo 22.10. Mas até a hora que eu saí ele nem tinha sido mencionado mais.

Ironia: Off
Não quero ser mal interpretado. Não estou aqui para condenar ninguém. Não estou agindo como alguém que fala mal de outro pelas costas. Creio que quem se expõe como ele e eu está sujeito a ser tanto elogiado quanto criticado. Eu mesmo sei que muitos vão me apedrejar por este texto. Mas é direito meu escrever o que penso, e é direito de outros não concordarem.
Até aqui, normal.
Creio que o Lucinho e grande parte daquele povo que lá estava seja muito sincero em tudo que faz. Não creio que sejam infiéis, idólatras, impostores, ou hereges. Pelo menos não em sua totalidade.
Creio apenas que sejam um povo sem entendimento. Cultuam com o coração, com o corpo, mas não sei se a mente esta tao presente assim.
O que Jesus ensina em Sua Palavra é que sinceridade apenas não basta. Muitos iriam matar seus discípulos julgando sinceramente oferecer culto a Deus. Sinceros, mas equivocados.
Deixo esse negócio de sexta louca por Jesus pra eles. Sigo minha vida vivendo todos os dias a loucura da pregação, mas com a simplicidade de uma pomba e a prudência de uma serpente, como me mandou meu Mestre (Mt 10.16).

Marcelo Batista Dias
Sóbrio com Jesus

sábado, 3 de novembro de 2012

Salmo 2012


Salmo de Marcelo Batista Dias, quando estava pensando sobre a baderna que virou o cristianismo hoje. Para reflexão e lamento.

1.    Onde estás oh Deus!? Tenho visto algumas coisas acontecerem e me sinto um pouco assustado. Digo a mim constantemente: Como Deus pode deixar que pessoas mundanas e ímpias consigam criar histórias muito mais atrativas que sua Palavra? Como pode o Altíssimo permitir que novelas, filmes e séries de TV tenham mais sucesso que as Palavras que Ele inspirou há tantos anos?
2.    Como pode o SENHOR permitir que shopping center’s sejam mais atrativos e empolgantes que sua própria casa? Não vê o Altíssimo quando aqueles por quem Seu Filho morreu numa cruz encontram mais prazer nos vídeo games e internet do que em conversar com Ele?
3.    Como pode o Eterno permitir que homens se levantem em seu nome arrastando multidões atrás de si em busca de uma vida de riquezas e facilidades neste mundo?
4.    Porque te calas oh Senhor quando sexo, títulos, graduações, empregos, casas, carros, comida, se tornam mais atrativos que a busca por Tua glória celestial?
5.    Lembro-me, contudo de quem é o SENHOR. Lembro-me de que Tua Lei é perfeita e que suas Palavras são mais doces que o mel e o destilar dos favos.
6.    Lembro-me dos grandes feitos de Deus para com seu povo. Lembro-me da Cruz. De todas as Palavras que Ele disse prevendo que isso aconteceria. Lembro-me de que Ele mesmo diz que “muitos são chamados, mas poucos escolhidos”. Lembro-me de sua graça para comigo e exalto ao Senhor dos Exércitos.
7.    Não estás escondido oh Senhor. Tens em tuas mãos todo domínio. Tudo contemplas com seus santos olhos. E ao fim de tudo revelarás o que está no coração dos homens.
8.    Para sempre serás exaltado oh Rei Eterno! Mas aqueles que andam atrás daquelas coisas, seu fim será lastimável. Como chorarão aqueles que trocam o Senhor por outros deuses!
9.    O SENHOR sempre será honrado em tudo o que faz. Mas aqueles que desprezam sua graça irão sempre de mal a pior.

Marcelo Batista Dias

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Cristianismo e Política



   As eleições municipais estão se aproximando e nosso contexto atual não está muito propício ao otimismo. A crise de liderança política atinge a todas as nações e a nossa tem sofrido muito. Diante disso qual deve ser nosso papel como cristãos? Isolar-nos e rejeitar todo e qualquer envolvimento político? Ou será que devemos criar um partido ou nos associar a candidatos do meio evangélico para defender os interesses da igreja?
   Por perceber a necessidade de responder essas perguntas, resolvi escrever esse artigo. 
  Muitos cristãos tem se aventurado na política sob pretexto de salvar a igreja dos ataques do mundo. Alguns se envolvem em partidos cujos ideais são opostos ao aos ideais cristãos e ainda acham que vão transformar o mundo. Mas infelizmente não é isso que muitos dos candidatos que usam o evangelho como plataforma de governo tem em mente. Há uma busca de interesses denominacionais, partidários e até mesmo particulares.
   Existem candidatos que entram na política para defender sua denominação. Eles se ajuntam e formam um colégio eleitoral onde se comprometem a eleger o candidato tal, que é da denominação tal, para defender os direitos dela.
  Outros são lançados na política com interesses puramente eleitoreiros. São partidos que enxergam o público evangélico como uma grande fatia do mercado e investem nos candidatos evangélicos apenas para eleger seus partidos.
  E há aqueles cujo objetivo maior é apenas a satisfação de seus interesses pessoais. Quanto a estes não tenho muito o que dizer. Seus objetivos falam por si só.
  Eu reconheço que há muito que mudar no quadro político do país. E que a idéia de candidatos com princípios cristãos seja muito tentadora do ponto de vista ético para consertar esta situação. Mas será que só o fato de ser cristão habilita alguém a um cargo publico?

Somos criaturas políticas

  A política é um dom de Deus. É por causa da imagem de Deus no homem que este é um ser político.
  Numa conceituação moderna, política é a ciência moral normativa do governo da sociedade civil[1]. Neste sentido, política está relacionada ao mandato social. Já no ato da criação o Senhor deu ao homem tarefas políticas: crescer, multiplicar, cultivar o jardim... todas essas ordens são políticas.
  Por isso o problema não é com a política, mas com o homem. Por causa da queda, a corrupção do pecado afetou toda capacidade humana de desenvolver de forma correta o potencial que Deus lhe deu na criação. A política não é corrupta, os homens políticos (falo de todos os homens em geral e não apenas candidatos) é que são. Por isso o papel do cristianismo na política é de grande importância.
  O cristianismo não é uma religião meramente restrita aos atos de adoração litúrgica nos templos cristãos. O cristianismo é uma religião de princípios que afetam a maneira de enxergar a vida em todas as suas áreas. Paulo diz que a Escritura, que é a única regra de fé e prática, é capaz de tornar o homem “perfeito para toda boa obra” (2 Tm 3.16,17). Isso inclui a política.
  Quer dizer que todos os cristãos devem se tornar candidatos ao um cargo público? Não! Isso é apenas para mostrar que nós não podemos nos alienar da política e viver como se não tivesse nada a ver conosco.
  O papel da Igreja é ser instrumento de Deus na obra de salvação que faz do homem uma nova criatura capaz de exercer os dons que Ele deu em todas as áreas da existência humana, inclusive na política. O papel da Igreja é pregar o evangelho que transforma vidas. É manter um comportamento ético que faça diferença além dos muros do templo.
  E se algum cristão tem o dom e o chamado para política pública, este deve assumir sua responsabilidade e exercer seu mandato guiado por uma cosmovisão bíblica. E a igreja deve orar por ele encomendando-o à graça de Deus. Isso significa que devemos formar um partido cristão, ou manifestar apoio público a algum candidato cristão?

Política para todos

  Muitos cristãos tem se candidatado a cargos públicos. Muitas igrejas têm buscado votar em candidatos de suas denominações. E isso não é pecaminoso se a motivação for um governo justo para todas as pessoas e não apenas para defender interesses pessoais e ou de um grupo em detrimento da maioria.
  Na Teologia Bíblica existe um aspecto da doutrina da Graça chamado de Graça Comum. Esta é aquela ação proveniente da graça de Deus pelo qual ele cuida e sustenta todos os homens em geral, e age no mundo de tal maneira a restringir os males de suas ações, e por meio delas, proclamar Sua Glória.
  A graça comum inclui a capacidade dos homens de produzir arte, tecnologia, avanços científicos, zelar pela ética e pela moral, ainda que sejam corruptos e não tenham qualquer temor de Deus em seu coração. Deus é quem faz isso para que sua glória seja proclamada e o mundo viva em razoável tranqüilidade.
  Dentro da graça comum está a capacidade política do ser humano. Uma pessoa pode não ser cristã e ainda assim realizar um governo excelente em prol de todos e não apenas de alguns, como deve ser a política bem feita.
  Cristãos que foram devidamente vocacionados por Deus para a política, que exerçam uma liderança eficaz para todas as pessoas, que demonstrem capacidade para assumir o que o cargo público exige, devem ser o alvo de nossas orações e votos.
  Não apenas pelo fato de ser crente, mas de ser habilitado para isso. Cristãos que se candidatam apenas para defender igreja devem ser rejeitados. Por sua graça, Deus cuida do bem comum de todos e não apenas de alguns. Não devemos ser partidaristas, mas correspondendo ao mandamento de amar ao próximo devemos selecionar aqueles que de fato estão interessados no bem estar comum, sejam crentes ou não.
   Lembremos que Deus é glorificado em tudo, quer na vida correta do justo, sobre os quais resplandece sua graça e misericórdia, quer na impiedade dos ímpios, sobre os quais pesa sua ira e justa condenação.   
  Assim não é obrigatório votar em cristãos, mas é imprescindível votarmos naqueles que foram dotados por Deus de habilidades governamentais e de liderança, quer sejam crentes ou não. Isso demanda atenção, oração e cuidado na hora da escolha.

 Concluindo, nós cristãos temos um papel singular na política pública. Temos a responsabilidade de pregar o evangelho que habilita o homem para toda boa obra; a responsabilidade de incentivar àqueles que foram dotados por Deus para o exercício da política pública; a responsabilidade de votar consciente e em busca do bem comum; e a responsabilidade de orar por aqueles que se acham investido de autoridade.   


quarta-feira, 6 de junho de 2012

Manifesto dos Pastores Batistas Clássicos

Vi no Tipo sem Tipo e estou reproduzindo aqui louvando a Deus que continua cuidando de sua igreja e levantando sempre homens com desejo sincero de retorno às Escrituras. 
É longo, mas é deleitoso ler este texto.
A imagem eu copiei do Resistência Protestante.
Marcelo Batista Dias
Ecclesia.
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No último sábado, dia 26 de maio de 2012 foi organizada a ORDEM DOS PASTORES BATISTAS CLÁSSICOS DO BRASIL. A reunião ocorreu nas dependências da Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel em Carapicuíba, São Paulo, Brasil. O encontro, além de criar a organização, gerou um manifesto, o qual transcrevemos a seguir, autorizando toda a mídia interessada a publicar o texto para o conhecimento da coletividade evangélica:

Há menos de cinqüenta anos havia um jeito próprio de ser batista. Na ortodoxia doutrinária tínhamos uma mesma hermenêutica para a interpretação bíblica. Havia seminários credenciados no preparo de pastores. Havia editoras confiáveis para a aquisição de literatura teológica de alto nível. Havia confissão doutrinária nas instituições de ensino teológico. Não havia discussão pneumatológica. Éramos todos conservadores: não aceitávamos o falar em línguas estranhas como dom atual do Espírito Santo, não tínhamos curandeiros na prática de supostas curas, não admitíamos profecias ou revelações extra-bíblicas e não possuíamos pastoras ou apóstolos no rol de obreiros eclesiásticos.

A liturgia de culto era do tipo reformada. O púlpito ficava no centro das atenções, pois a pregação bíblica tinha importância crucial. A música era religiosa, era sacra, direcionava a igreja no ato da adoração, transmitia mensagens cantadas e apelava evangelisticamente ao pecador inconverso. Não havia "números especiais", mas "participações no culto". Não havia "equipes de louvor", mas músicos, cantores, orquestra, coro e instrumentistas. Os oficiais mantinham reverência, uma postura de formalidade sagrada, apresentando-se bem trajados, pois compreendiam estar realizando algo sublime.

Os pregadores buscavam a excelência, numa linguagem sadia e rica, numa prédica bem lógica e num sermão bem formatado, pois criam estar formando opiniões e entendiam que seus auditórios eram compostos de pessoas inteligentes e sensatas, que cresceriam na cultura e no conhecimento bíblico.

As relações entre igrejas eram de, no mínimo, entre "co-irmãs", isto é, que tivessem o máximo de pontos de igualdade e o mínimo de divergências. Assim, era comum o intercâmbio entre igrejas batistas, às vezes entre batistas e protestantes, mormente presbiterianos, mas praticamente nunca com igrejas pentecostais.

Os ritos de oração eram ordeiros: alguém orava e outros acompanhavam com "amém" intercalado, ou diziam pequenas frases baixas, para não atrapalhar nem quem orava e nem o auditório. Os crentes possuíam ética comportamental por onde iam: não participavam de danças ou bailes, suas filhas não celebravam aniversários de quinze anos em programação idêntica a das debutantes seculares, não iam a cinemas e teatros com programa e auditório indecentes, não bebiam nem em casa e nem socialmente, não falavam palavrões, não contavam piadas chulas, não participavam de arruaças, não compartilhavam de cultos ecumênicos, não assistiam novelas imorais.

Os pastores tinham postura diferenciada na sociedade: não faziam dívidas que não pudessem pagar; andavam decentemente trajados e não participavam de diversões que colocassem em risco sua postura sóbria e solene de ser; eram hospitaleiros e queridos; buscavam aprimorar sua cultura; tinham sólida formação teológica e sabiam defender a sua fé; eram leais no matrimônio, cordatos nas relações, graves em suas colocações; não compactuavam com os pecados do rebanho, mas disciplinavam com coragem e determinação; não pregavam auto-ajuda, mas anunciavam o "assim diz o Senhor".

Pastores batistas não participavam de organizações pentecostais, não aceitavam ceder a fé em prol do convívio pacífico com outros cristãos. Eram leitores contumazes, eram mestres do bem, eram elegantes em suas colocações, eram destacados na sociedade.

A Ordem dos Pastores funcionava como um centro de reciclagem teológica, de recuperação espiritual, de convívio com os pares e de referência para o ministério. Seus encontros eram todos considerados solenes, não havendo espaço para transformá-los em meras reuniões informais de amigos. Tudo era visto com extrema importância e valor.

Mas meio século se passou. O tempo trouxe mudanças radicais na sociedade, nas regras sociais, e, para surpresa e decepção nossas, nas igrejas e na postura pastoral dos batistas.

A hermenêutica tornou-se de múltipla escolha. Hoje a filosofia que impera na interpretação bíblica é a relativista: o que vale para uma igreja, ministério, pastor, época ou situação podem variar inesgotavelmente. Cada um interpreta a bíblia a seu bel-prazer.

Não há mais um seminário ou uma rede de seminários dignos para preparar os pastores; hoje qualquer um busca preparo onde desejar, independentemente da confissão de fé que a instituição tenha. Assim, há pastores formados em instituições pentecostais, ecumênicas, fundamentalistas, protestantes e batistas liberais. A literatura evangélica consultiva tornou-se extensa e comercial.  A cada mês surgem novas versões bíblicas, novas teorias da Alta Crítica, novas filosofias de ministério, novas propostas de crescimento de igreja, novos sistemas mirabolantes de revolução eclesiástica, e nossos obreiros, seduzidos pelo crescimento rápido, fácil e abundante, cedem ao canto da sereia e à lábia da serpente.

Hoje é "pecado" dizer-se cessacionista. Mais da metade dos pastores batistas crêem em manifestações pentecostais, ainda que veladas, ainda que não confessadamente como sinais do Batismo do Espírito Santo. Outros, muito mais ousados, transformaram suas igrejas em autênticas agências neopentecostais, com cópias malfeitas do sistema dessas seitas: noite dos empresários, sessão de descarrego, quebra de maldições etc.

Há igrejas batistas com ações tão pentecostais que chegam a assustar os próprios membros de igrejas carismáticas.  Há pastores que procuram "açucarar" a questão pentecostal, tolerando quem faz suas investidas em casa ou em reuniões de grupos pequenos, sem causar tumulto no ato público geral. Outros tentam conciliar o irreconciliável, tecendo longos discursos inócuos que não dizem absolutamente nada. Há ainda os que se sentem tão doutos, tão gabaritados nas línguas mortas que crêem ser os próprios oráculos da fé, aptos para interpretar a pneumatologia à luz de sua própria auto-suficiência.

O púlpito foi para o canto ou transformou-se em apetrecho desnecessário. A plataforma das igrejas transformou-se em palco para shows. Normalmente os instrumentos musicais, equipamentos eletrônicos e outros elementos de mídia ocupam todo o espaço. Não há diferença dos palcos de programas televisivos.  Geralmente, o pastor é o animador de auditório. Há os dançarinos, que ocupam a parte de baixo, rapazes e moças, com roupas de balé ou de candomblé (esvoaçantes e de tecidos soltos) fazendo coreografias de acordo com o ritmo, com o tema ou com o momento vivido no culto.

Os músicos seguem a moda: ou tocando rock ou músicas chamadas de "comunidade, louvor e adoração" ou emotivas como as dos mantras da Lagoinha. Geralmente há as "ministrações" que são simulacros de manifestações pneumatológicas, onde os dirigentes dizem receber mensagens, falando "assim diz o Senhor". Há também aqueles "ministradores de louvor" que fazem pequenos sermões entre músicas, ocupando praticamente o culto todo. Na hora do sermão do pastor não há mais o que pregar ou não há mais tempo ou não há mais paciência para ouvi-lo. Na verdade diluiu-se o púlpito em cápsulas de nada.

Hoje se paga para alguém louvar a Deus. Convidam-se grupos de sucesso, cantores de mídia ou "testemunhadores" profissionais que consigam atrair grande público, aos quais se paga um bom cachê, além de dividir a oferta da noite; práticas essas neopentecostais declaradas, que se transformaram em praxe moderna de cultos protestantes.

Os pregadores perderam a homilética, transformando-a em prática de palestras seculares de auto-ajuda. Não há mais diferença entre prédica, sermão, oratória sacra e palestra de auto-ajuda. A tecnologia, que deveria ser apetrecho para auxiliar os palestrantes, tornou-se moda e muleta, pois os pregadores modernos não sobem ao púlpito sem um notebook e uma tela para datashow. Seus sermões estão cheios de cliparts, de powerpoints, de músicas de Yanni ao fundo, um misto de paganismo com palestra empresarial. E os seus temas? "Matando sete leões por dia", "como vencer as barreiras", "a arte de transformar derrotas em vitórias" etc. Geralmente, seus compêndios preparatórios são as publicações da internet, são os ícones da mídia evangélica que publicam em pequenas quantidades as suas adaptações do que aprendem em palestras de hotéis e cursos de vendas. Há pastores que se limitam a comentar as manchetes dos jornais do dia ou ler as orelhas dos últimos livros da editora preferida ou então tecem críticas sobre política, novelas,  esportes ou ainda sobre eventos denominacionais.  Falar sobre Céu, Inferno, salvação, perdição, moral, espiritualidade, ética, tudo isso fica para alguma resenha no boletim ou algum suposto curso teológico para leigos, que geralmente não passa de um livreto americano mal traduzido e mal aplicado. Resultado: igrejas às vezes até cheias, porém fracas, sem bíblia, sem doutrina, sem espiritualidade.

A linguagem no púlpito tornou-se também coloquial. No afã de transformar a prédica em algo inteligível para todos, ousou-se mudar também a língua, rebaixando-a ao seu mais ínfimo nível. Assim, não é raro ouvir palavrões na pregação. Palavras feias, chulas, frases de mídia, chavões, português mal aplicado, tudo ao gosto da modernidade. Assim como a mídia faz questão de trazer a linguagem dos antros e dos redutos da imoralidade para a tela e para os lares, os púlpitos refletem também a mesma pobreza, mau gosto e qualidade: púlpitos feios, chulos e pecaminosos.

As igrejas batistas passaram a não se distinguir mais em seus distintivos. Assim, intercambiar ou fazer coisas com igrejas de qualquer fé e ordem transformou-se em algo normal. Já é possível ver vigílias entre igrejas batistas, pentecostais e neopentecostais. É comum ver igrejas batistas e igrejas católicas realizando atos sociais e cultos ecumênicos. Tornou-se prática habitual a realização de "marchas para Jesus" ou "louvorzões" ou "congressos", com "ministrações" pentecostais em seu bojo. Pastores batistas, inclusive pessoas da diretoria da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil e das convenções brasileira e estaduais, participam de organizações de pastores ecumênicos, onde seus presidentes são "apóstolos" ou "bispos", sem o menor constrangimento. Numa convenção estadual, o seu executivo é tesoureiro de uma organização ecumênica de pastores. Com efeito, os limites do aceitável e do não recomendável transformaram-se em nada!

O ministério pastoral batista transformou-se de forma aviltante. Hoje nós já temos apóstolos. Sim. O que era considerado heresia há cinqüenta anos (era consenso geral que apóstolos foram as testemunhas oculares do ministério de Jesus, incluindo sua morte e ressurreição e estava restrito aos doze, ou, quando muito, ao grupo próximo dos doze),  hoje transformou-se, pela atual ciência da má interpretação bíblica, uma "opção ministerial", uma "restauração do ministério cristão". Tomou-se o termo, deu-se a tradução e aplicou-se de forma contemporânea a sua eficácia. Então, temos hoje, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, os primeiros apóstolos batistas convencionais.

Não diferindo na má interpretação hermenêutica, temos atualmente pastoras. Mulheres, que antes serviam a Deus nas qualificações e ministérios bíblicos claros e definidos, agora invadiram o pastorado também. Claro, sob a ótica e a égide dos tempos modernos, das supostas "conquistas", as mulheres precisavam tomar também esse "reduto machista", que é o ministério pastoral. Já temos mais de duzentas pastoras batistas convencionais. Os seminários batistas não apenas aceitam a realidade como já mantém cursos específicos para suprir essa "demanda eclesiástica". Há cinqüenta anos isso era impensável, porém hoje se considera "pecado" e "opinião politicamente incorreta" ser contra o pastorado feminino.  Nossas instituições cooperativas posicionam-se cada vez mais favoráveis. E os pastores que mantém sua fé cristã batista ortodoxa são cada dia mais execrados, sem espaço, sem opinião, fadados e relegados ao ostracismo e à marginalidade funcional.

Com tudo isso, a nova moralidade também tomou conta de nossas igrejas. Não há mais limite entre o sacro e o profano. Hoje há bailes dentro das igrejas. Há festas de fantasias. Há "baladas". Casamentos há que terminam seus festejos com verdadeiras discotecas nos salões sociais. A bebida alcoólica transformou-se em coisa comum. O sexo entre jovens e adolescentes agora é tolerado. Há igrejas distribuindo preservativos às uniões de jovens.  Há acampamentos que terminam em bebedeira. Há igrejas batistas que participam do Carnaval com escolas de samba e com bailes de máscaras. Estamos numa situação tão ridícula que custa-nos a acreditar. Já há sex-shop gospel!

Junto a isto, soma-se o grave pecado dos "teólogos da corte", frase cunhada por um padre católico ortodoxo. É a mistura entre a Igreja e o Estado, a troca de favores, o recebimento de terrenos do Estado para a construção de igrejas; os pastores a transformar seus púlpitos em plataformas políticas ou em trampolins para se lançarem candidatos a funções públicas, igrejas que se tornam meros centros de convivência social a serviço da política, congregações que recebem verbas do governo para realizar aquilo que deveriam fazer às suas próprias expensas. É o mesmo que aconteceu com Israel no passado, é o mesmo que aconteceu com a igreja romana e Constantino, e é o mesmo que acontece agora entre batistas e os partidos trabalhistas ou governamentais desta época. Religião e política misturadas.

A nossa Ordem de Pastores está realmente representando o ministério pastoral batista? Está ela contribuindo para a nossa edificação, reciclagem teológica, fundamentação bíblica e compartilhamento fraterno sadio? Ou estaremos nos tornando "peixes fora d'água" no meio de um oceano de novidades e de práticas incompatíveis com os ensinamentos bíblicos que recebemos e nos quais cremos? 

A impressão que se tem é que temos que pedir desculpas aos colegas cada vez que nos afirmamos cessacionistas ou que não apoiamos o ministério pastoral feminino ou que não cremos em apóstolos modernos ou que não aceitamos sistemas mirabolantes de crescimento ou que divergimos de campanhas esdrúxulas de 40 dias, de 100 dias, de semanas ou de novenas.

Parece que é crime ser batista tradicional e clássico no meio dos colegas modernos, que são a vasta maioria. Somos considerados retrógrados, quadrados, ultrapassados, imbecis, xiitas, conservadores, fundamentalistas, reacionários, museus ambulantes, doentes mentais etc. Para um bom convívio, temos de dizer que "juntos somos mais" ou  "minha vida, impacto para as nações". Temos que receber os dvds das juntas missionárias cheias de coreografias e aceitar isso como bom. Temos que cantar a mesma música, rezar na mesma cartilha, praticar a mesma campanha, bajular os mesmos ícones, ler as mesmas aberrações, tudo em nome do "bom convívio e da harmonia". E bem sabemos: não seremos convidados sequer para fazer uma oração silenciosa, uma vez que os cargos são marcados, numerados e direcionados a quem aglutina, a quem bajula, a quem aceita tudo.

Não foi isso que os saudosos pastores Salvador Farina Filho e Rubens Lopes,em São Paulo, e José de Souza Marques, na Bahia, pensaram, ao criarem as ordens de pastores batistas de São Paulo e do Brasil, respectivamente (1942 e 1940).

Sem nenhum cunho separatista ou de cisão pela cisão, queremos registrar o nosso protesto contra toda essa situação teratológica que vivemos neste início do século XXI e fazer uma proposta para ações concretas de retorno à sensatez, à sã doutrina e aos valores basilares de nossas instituições.

Nós protestamos.

Protestamos contra a dança e a coreografia no culto que prestamos a Deus e em nossas igrejas batistas. O culto que agrada a Deus não é estético, é espiritual; não é profano, é sacro; não é fundamentado na sociologia e na antropologia, mas na teologia.

Protestamos contra as igrejas batistas que transformaram suas plataformas de púlpito, obreiros e músicos em palcos para a realização de espetáculos! O culto não é show!

Protestamos contra aqueles que defendem os dons de sinais como contemporâneos às igrejas. Protestamos contra os atuais profetas de igreja, contra aqueles que dizem receber revelações extra-bíblicas, contra aqueles que dizem ter "ministrações" em português ou em línguas estranhas.

Protestamos contra a teologia da prosperidade, que invade a nossa teologia e os nossos cultos, escravizando o povo ao mero sucesso financeiro em detrimento da verdadeira riqueza celestial!

Protestamos contra as unções que inventaram para a atualidade! Nós não cremos - e desafiamos quem crê -   a mostrar-nos nas Escrituras Sagradas as tais "unção de primogenitura", "unção de conquista", unção apostólica" ou quaisquer outras!

Protestamos contra a existência de apóstolos modernos, pois não houve nem sucessão nem restauração deste ministério. Eles, os bíblicos, foram suficientes e foram escolhidos por Cristo. Nós somos apenas auxiliares do Supremo Pastor, nada mais que isso. Não há mais apóstolos!

Protestamos contra sistemas de crescimento de igreja que tendem a transformá-las em fábrica de adeptos ou postos de venda de grandes indústrias religiosas. Protestamos contra esquemas mirabolantes de ampliação e de modificação de igrejas, à luz de supostos líderes evangélicos que mantém fé dúbia e pouco ortodoxa! Protestamos contra G12, M12, contra Igrejas Com Propósitos ou qualquer outro sistema que queira impor uma eclesiologia diferente a uma igreja batista!

Protestamos contra o pastorado feminino! Mulheres e homens são iguais perante Deus; mulheres e homens têm livre acesso ao Senhor. Mas mulheres têm funções diferentes das dos homens e nas páginas da bíblia não foi confiado às mulheres o ministério pastoral. Isto não as desmerece diante dos homens. Deus nos criou com ministérios diferentes e nós  ainda cremos na Bíblia sem precisar mudá-la, ampliá-la ou adaptá-la! Não reconhecemos o ministério pastoral feminino batista!

Cremos na Bíblia como única Palavra de Deus, inerrante, verdadeira, fiel, isenta de manchas ou erros. Nós cremos na Bíblia e só na Bíblia. Não precisamos de novos intérpretes, novas versões ou traduções contemporâneas para compreender qual é a Palavra de Deus revelada. Protestamos contra as versões modernas e adulteradoras da Palavra e não aceitamos a chamada re-leitura das Escrituras!

Protestamos contra o culto antropocêntrico, que faz do homem e de suas necessidades a razão de ser das atividades eclesiásticas e religiosas. Protestamos também contra todo culto que não seja direcionado a Deus! Protestamos contra o culto que exalta o homem e que busca a glória humana!

Rejeitamos o ecumenismo e não admitimos uma fé misturada com paganismos, tradições, modismos e  com opiniões meramente humanas. Protestamos contra igrejas batistas que perderam os seus distintivos, os seus princípios, as suas raízes e se tornaram meras agremiações liberais religiosas!

Protestamos contra as organizações eclesiásticas dominadoras, que querem transformar as igrejas em entidades dirigidas por uma convenção ou associação. Nós ainda cremos na autonomia das igrejas locais e na independência das igrejas! Cremos na cooperação dos batistas, mas não na intromissão das entidades na administração local. Protestamos contra a tendência atual de bispado e de sedes eclesiásticas para batistas!

Protestamos contra o modernismo religioso, contra o liberalismo teológico, contra o evolucionismo e neopentecostalismo que já encontramos em nossas literaturas batistas e em nossos seminários infiéis.

Sim. Somos protestantes.

E, à luz do nosso protesto, anunciamos aos colegas, aos pastores que ainda vêem com seriedade o ministério cristão batista: criamos uma nova ordem alternativa de pastores. Uma ordem baseada em nossa comunhão batista clássica, em nossas raízes e aspectos distintivos, em nossa comunhão cristã ortodoxa e sem liberalismo. Uma comunhão de pastores concordes, que pensam da mesma maneira, que lutam a mesma batalha, que possuem a mesma opinião. Uma ordem que nos dê um rumo, uma luz, um norte, que seja um referencial, que tenha a seriedade de assumir posições, que sirva de organização em nível geral de colegas de opiniões semelhantes. Que seja uma entidade com VEZ e VOZ, que expresse aquilo que muitos de nós gostaríamos de dizer mas que, infelizmente, nem sempre poderíamos ser ouvidos isoladamente. Uma ordem de pastores batistas clássicos, conservadores, tradicionais, bíblicos.

"Andarão dois juntos se não houver entre eles acordo?" Amós 3.3.

Esta ordem terá critérios claros para os seus membros. Os critérios seriam exatamente aqueles que foram foco do protesto que fizemos logo acima, fruto da observação de todas as coisas que nos causam tanto aborrecimento e perplexidade.

Esta ordem se transformará num autêntico "selo de qualidade de obreiro batista". Quem for associado dela terá uma recomendação muito boa a seu respeito, pois seus membros serão reconhecidos como bem doutrinados, conhecedores da Palavra de Deus, de moral ilibada e de vida espiritual reconhecida. Assim eram os pastores da Ordem dos Pastores antigamente.  A nossa carteirinha, à moda antiga, com páginas para carimbo.

Esta Ordem promoverá a comunhão entre os obreiros de mesma opinião. Tal comunhão seria conseguida através de correspondências, encontros, redes sociais, amizades verdadeiras, discipulados, "pastoreamento" entre os colegas, bem como o compartilhamento de experiências.

Também preparará novos obreiros. É bom que se diga que não é o seminário que faz o bom pastor. Muitos dos nossos pioneiros eram autodidatas, não fizeram cursos formais de teologia. Infelizmente, hoje há seminários que mais estragam os candidatos do que os preparam para o ministério. A nossa ordem poderá desenvolver o seu próprio preparo teológico para os seus obreiros, com seminário à distância, e/ou presencial, publicação e recomendação de boas literaturas teológicas para os seminaristas. No caso de concílios, poderemos ser consultados pelas igrejas dos colegas, para o exame dos mesmos e a sua recomendação ao ministério pastoral. Os nossos critérios serão claros e não políticos.

A nova Ordem poderá promover CONGRESSOS DE DOUTRINAS BATISTAS. Prepararemos um currículo e um curso apostilado de nossa Ordem, para que os colegas ensinem às igrejas as matérias concernentes ao assunto. Será uma excelente contribuição ao trabalho batista.

A nova Ordem poderá trazer à comunhão obreiros decepcionados com o sistema. Não somos os únicos. Somos apenas uma pequenina parcela de pastores que ficaram aquém da máquina denominacional. Há muitos colegas que não participam mais e não falam mais, pois divergem do que vem acontecendo. Tais colegas, ao tomar conhecimento de nossa agremiação, poderão motivar-se a cooperar, a contribuir, a participar e, assim, a acrescentar sua boa experiência a serviço de nosso ministério.

A nossa Ordem terá uma página na internet. Nessa página teremos tudo a nosso respeito: a nossa história, os nossos distintivos, a nossa agenda, os nossos associados, os nossos artigos, as nossas igrejas, as nossas propostas, as nossas opiniões, enfim, será uma autêntica SALA DE IMPRENSA ao grande público, mormente à denominação batista, que, queira ou não, terá que nos ouvir e terá que nos respeitar.

A nossa Ordem poderá editar lições bíblicas para a EBD e publicar livros sobre o ministério e ciências bíblicas. Seremos uma espécie de ressurreição da Casa Publicadora Baptista, com jornal e tudo. Por que não? Não foi com 16 hinos que Salomão Luiz Ginsburg começou um hinário chamado CANTOR CRISTÃO?

Nós, os pastores batistas concordes e convocados para esta momento, organizamos uma aliança de pastores, nos dizeres de José de Souza Marques em 1940 ou uma ordem de pastores batistas, nos dizeres de Salvador Farina Filho em 1942.

Trilharemos o caminho de volta aos valores antigos, às origens, às publicações clássicas antigas, ao procedimento pastoral bíblico e trabalharemos com afinco neste propósito, dando a nossa parcela de contribuição à denominação, num contraponto à situação terrível que o ministério pastoral batista se encontra.

Criamos a ORDEM DOS PASTORES BATISTAS CLÁSSICOS DO BRASIL, mas poderemos estendê-la a todos os pastores batistas conservadores lusófonos pelo mundo. Nossa agremiação pode acolher outros colegas que assinem o mesmo manifesto e aceitem as mesmas condições e não se exige dos seus membros abdicação ou desfiliação da OPBB ou outras instituições afins.

Este é o nosso manifesto. Que Deus nos ajude!

Carapicuíba, São Paulo, Brasil, 26 de maio de 2012

Assinam este documento:

Pastor Wagner Antonio de Araújo
Pastor da Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel, em Carapicuíba, São Paulo, Brasil

Pastor Messias José dos Santos
Pastor da Primeira Igreja Batista em São José do Rio Pardo, São Paulo, Brasil

Pastor Gilson Celestino dos Santos
Pastor da Primeira Igreja Batista Holística de Vila Formosa, São Paulo, Brasil

Pastor Samuel Lima de Oliveira
Pastor da Primeira Igreja Batista em Jardim Fortaleza, Vargem Grande do Sul, São Paulo, Brasil

Pastor Marcos Gesiel Laurentino
Pastor da Igreja Batista Fundamental em Araguari, Minas Gerais

Pastor Ibraulino Batista de Souza
Membro da Primeira Igreja Batista da Penha, São Paulo, Brasil

Pastor Eliseu Lucas
Pastor da Missão Batista Raízes em Guaxupé, Minas Gerais,
congregação da
Primeira Igreja Batista em Mococa, São Paulo, Brasil

Pastor Wilson Pereira Martins
Pastor da Igreja Batista do Bairro do Limão, São Paulo, Brasil

Pastor Aparecido Donizete Fernandes
Pastor da Igreja Batista Sinai, São Paulo, Brasil


Aos pastores batistas interessados e a quem
queira maiores informações:
E-mail da OPBCB: opbcb2012@gmail.com


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