quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Reclamaram que eu falei demais...


Pois é... mais uma vez reclamaram que eu falei demais. Nesta segunda encontrei-me com o pastor da igreja em que preguei domingo à noite. Logo após o "boa noite" ele soltou: "O povo falou que você falou demais ontem! Parecia que sua pregação nunca ia acabar! O culto acabou às 21h. Nem em dia de Santa Ceia eu demoro tanto!".

Eu já estou meio acostumado a isso. Às vezes falo muito mesmo. Principalmente em se tratando de pregar a Palavra. Me acostumei a falar por 30, 40 e até por 50 minutos às vezes. Sei que isso incomoda bastante as pessoas. Principalmente neste contexto de imediatismo em que nós vivemos. Tudo é fast. Inclusive o culto.

Fico pensando como era a vida dos crentes Puritanos. Pregações de até 6 horas de duração. Se vivesse em nosso tempo, com certeza Spurgeon não seria o mais admirado dos pregadores. Fico pensando também em Paulo que pregou durante uma noite inteira e todos, exceto um tal de Êutico que dormiu e caiu da janela (ainda bem que ninguém senta nas janelas dos nossos templos), permaneceram firmes ouvindo a Palavra de Deus pregada por ele. E o que dizer de Jesus, que fazia suas preleções ao ar livre, sem equipamento de som, sem cadeiras acolchoadas e por horas, multidões maravilhavam-se de ouví-lo.

O mais curioso de tudo isso é que ninguém ainda veio a mim para reclamar do louvor. Nunca ouvi niguém dizer:

"Puxa não aguento mais cantar 6 canticos no louvor!"
"O louvor de nossa igreja está demorando muito! Precisamos conversar com o pastor!"
"Ai... uma hora de louvor é muito gente!!!!"

Se a musica que se canta nas igrejas brasileiras fosse pelo menos edificante, bíblica, até que passaria. O problema é que tudo que se canta é prosperidade e auto-ajuda. É claro que existem inumeras exceções, mas no geral é assim mesmo. O que faz "sucesso" entre os ministérios de louvor é mesmo o reteté.

É claro que nao posso me comparar a Spurgeon, Paulo e muito menos à Cristo. Sou um simples pregador do evangelho que se esforça por pregar a Palavra "viva e eficaz" que "corta mais que espada de dois gumes". E ainda sei que não sou um eximinio pregador. Mas o que percebo, e quero destacar aqui, é que o povo evangélico de hoje não suporta mais a sã doutrina.

Como dizia profeta Silvio Santos, "o povo gosta de pão e circo". É isso que o povo evangélico quer: Prosperidade e festa.

Fiquei muito triste ao ouvir o que ouvi. Principalmente porque veio da boca de quem deveria defender a supremacia das Escrituras e da pregaçao no culto.

Fico por aqui... e o que posso dizer, é que com a graça de Deus, ainda vou continuar ouvindo muitas pessoas reclamarem que eu falo demais.

Marcelo Batista Dias

5 comentários:

Anderson disse...

Ô, Marcelo. Essa de falar que ninguém nunca reclamou da demora no louvor foi boa. É fato, quase ninguém reclama. Mas músicas em demasia é cansativo, viu!? Principalmente, se como você ilustrou, for aquela coisa rasa de sempre.
Quanto à pregação, eu admito que durar muito tempo para mim pode ser um problema. Do ponto de vista da didática, é fato que as pessoas perdem a atenção depois de algum tempo de exposição. Seria humanamente aceitável que as pessoas se perdessem no meio de um sermão muito longo, portanto. Todavia, acho que um ministro (ou um preletor qualquer) pode superar essa barreira usando técnicas para prender a atenção da pessoa, como organizar as ideias e alterar o tom de voz.

Marcelo Batista Dias disse...

Ô Anderson eu concordo com vc, e estou tentando no processo de aprendizado diminuir meu tempo de exposição sem reduzir a qualidade do conteudo, e posso dizer que melhorei bastante.

O que eu queria destaca mesmo era a questão do prejuizo da pregação em detrimento da musica na igreja e que tem trago muito prejuizo para a vida pratica da igreja.

Um grande abraço.
Marcelo

Marcelo Batista Dias disse...

Ô Anderson eu concordo com vc, e estou tentando no processo de aprendizado diminuir meu tempo de exposição sem reduzir a qualidade do conteudo, e posso dizer que melhorei bastante.

O que eu queria destaca mesmo era a questão do prejuizo da pregação em detrimento da musica na igreja e que tem trago muito prejuizo para a vida pratica da igreja.

Um grande abraço.
Marcelo

fred menks disse...

"...e alterar o tom de voz."
opinião minha, mas pastor que fala baixo pra gritar depois é um saco.
kkkkkkk

Marcelo Batista Dias disse...

KKKK...
só vc mesmo Fred!
Abrçs.

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