quarta-feira, 6 de junho de 2012

Manifesto dos Pastores Batistas Clássicos

Vi no Tipo sem Tipo e estou reproduzindo aqui louvando a Deus que continua cuidando de sua igreja e levantando sempre homens com desejo sincero de retorno às Escrituras. 
É longo, mas é deleitoso ler este texto.
A imagem eu copiei do Resistência Protestante.
Marcelo Batista Dias
Ecclesia.
------------------------------------------

No último sábado, dia 26 de maio de 2012 foi organizada a ORDEM DOS PASTORES BATISTAS CLÁSSICOS DO BRASIL. A reunião ocorreu nas dependências da Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel em Carapicuíba, São Paulo, Brasil. O encontro, além de criar a organização, gerou um manifesto, o qual transcrevemos a seguir, autorizando toda a mídia interessada a publicar o texto para o conhecimento da coletividade evangélica:

Há menos de cinqüenta anos havia um jeito próprio de ser batista. Na ortodoxia doutrinária tínhamos uma mesma hermenêutica para a interpretação bíblica. Havia seminários credenciados no preparo de pastores. Havia editoras confiáveis para a aquisição de literatura teológica de alto nível. Havia confissão doutrinária nas instituições de ensino teológico. Não havia discussão pneumatológica. Éramos todos conservadores: não aceitávamos o falar em línguas estranhas como dom atual do Espírito Santo, não tínhamos curandeiros na prática de supostas curas, não admitíamos profecias ou revelações extra-bíblicas e não possuíamos pastoras ou apóstolos no rol de obreiros eclesiásticos.

A liturgia de culto era do tipo reformada. O púlpito ficava no centro das atenções, pois a pregação bíblica tinha importância crucial. A música era religiosa, era sacra, direcionava a igreja no ato da adoração, transmitia mensagens cantadas e apelava evangelisticamente ao pecador inconverso. Não havia "números especiais", mas "participações no culto". Não havia "equipes de louvor", mas músicos, cantores, orquestra, coro e instrumentistas. Os oficiais mantinham reverência, uma postura de formalidade sagrada, apresentando-se bem trajados, pois compreendiam estar realizando algo sublime.

Os pregadores buscavam a excelência, numa linguagem sadia e rica, numa prédica bem lógica e num sermão bem formatado, pois criam estar formando opiniões e entendiam que seus auditórios eram compostos de pessoas inteligentes e sensatas, que cresceriam na cultura e no conhecimento bíblico.

As relações entre igrejas eram de, no mínimo, entre "co-irmãs", isto é, que tivessem o máximo de pontos de igualdade e o mínimo de divergências. Assim, era comum o intercâmbio entre igrejas batistas, às vezes entre batistas e protestantes, mormente presbiterianos, mas praticamente nunca com igrejas pentecostais.

Os ritos de oração eram ordeiros: alguém orava e outros acompanhavam com "amém" intercalado, ou diziam pequenas frases baixas, para não atrapalhar nem quem orava e nem o auditório. Os crentes possuíam ética comportamental por onde iam: não participavam de danças ou bailes, suas filhas não celebravam aniversários de quinze anos em programação idêntica a das debutantes seculares, não iam a cinemas e teatros com programa e auditório indecentes, não bebiam nem em casa e nem socialmente, não falavam palavrões, não contavam piadas chulas, não participavam de arruaças, não compartilhavam de cultos ecumênicos, não assistiam novelas imorais.

Os pastores tinham postura diferenciada na sociedade: não faziam dívidas que não pudessem pagar; andavam decentemente trajados e não participavam de diversões que colocassem em risco sua postura sóbria e solene de ser; eram hospitaleiros e queridos; buscavam aprimorar sua cultura; tinham sólida formação teológica e sabiam defender a sua fé; eram leais no matrimônio, cordatos nas relações, graves em suas colocações; não compactuavam com os pecados do rebanho, mas disciplinavam com coragem e determinação; não pregavam auto-ajuda, mas anunciavam o "assim diz o Senhor".

Pastores batistas não participavam de organizações pentecostais, não aceitavam ceder a fé em prol do convívio pacífico com outros cristãos. Eram leitores contumazes, eram mestres do bem, eram elegantes em suas colocações, eram destacados na sociedade.

A Ordem dos Pastores funcionava como um centro de reciclagem teológica, de recuperação espiritual, de convívio com os pares e de referência para o ministério. Seus encontros eram todos considerados solenes, não havendo espaço para transformá-los em meras reuniões informais de amigos. Tudo era visto com extrema importância e valor.

Mas meio século se passou. O tempo trouxe mudanças radicais na sociedade, nas regras sociais, e, para surpresa e decepção nossas, nas igrejas e na postura pastoral dos batistas.

A hermenêutica tornou-se de múltipla escolha. Hoje a filosofia que impera na interpretação bíblica é a relativista: o que vale para uma igreja, ministério, pastor, época ou situação podem variar inesgotavelmente. Cada um interpreta a bíblia a seu bel-prazer.

Não há mais um seminário ou uma rede de seminários dignos para preparar os pastores; hoje qualquer um busca preparo onde desejar, independentemente da confissão de fé que a instituição tenha. Assim, há pastores formados em instituições pentecostais, ecumênicas, fundamentalistas, protestantes e batistas liberais. A literatura evangélica consultiva tornou-se extensa e comercial.  A cada mês surgem novas versões bíblicas, novas teorias da Alta Crítica, novas filosofias de ministério, novas propostas de crescimento de igreja, novos sistemas mirabolantes de revolução eclesiástica, e nossos obreiros, seduzidos pelo crescimento rápido, fácil e abundante, cedem ao canto da sereia e à lábia da serpente.

Hoje é "pecado" dizer-se cessacionista. Mais da metade dos pastores batistas crêem em manifestações pentecostais, ainda que veladas, ainda que não confessadamente como sinais do Batismo do Espírito Santo. Outros, muito mais ousados, transformaram suas igrejas em autênticas agências neopentecostais, com cópias malfeitas do sistema dessas seitas: noite dos empresários, sessão de descarrego, quebra de maldições etc.

Há igrejas batistas com ações tão pentecostais que chegam a assustar os próprios membros de igrejas carismáticas.  Há pastores que procuram "açucarar" a questão pentecostal, tolerando quem faz suas investidas em casa ou em reuniões de grupos pequenos, sem causar tumulto no ato público geral. Outros tentam conciliar o irreconciliável, tecendo longos discursos inócuos que não dizem absolutamente nada. Há ainda os que se sentem tão doutos, tão gabaritados nas línguas mortas que crêem ser os próprios oráculos da fé, aptos para interpretar a pneumatologia à luz de sua própria auto-suficiência.

O púlpito foi para o canto ou transformou-se em apetrecho desnecessário. A plataforma das igrejas transformou-se em palco para shows. Normalmente os instrumentos musicais, equipamentos eletrônicos e outros elementos de mídia ocupam todo o espaço. Não há diferença dos palcos de programas televisivos.  Geralmente, o pastor é o animador de auditório. Há os dançarinos, que ocupam a parte de baixo, rapazes e moças, com roupas de balé ou de candomblé (esvoaçantes e de tecidos soltos) fazendo coreografias de acordo com o ritmo, com o tema ou com o momento vivido no culto.

Os músicos seguem a moda: ou tocando rock ou músicas chamadas de "comunidade, louvor e adoração" ou emotivas como as dos mantras da Lagoinha. Geralmente há as "ministrações" que são simulacros de manifestações pneumatológicas, onde os dirigentes dizem receber mensagens, falando "assim diz o Senhor". Há também aqueles "ministradores de louvor" que fazem pequenos sermões entre músicas, ocupando praticamente o culto todo. Na hora do sermão do pastor não há mais o que pregar ou não há mais tempo ou não há mais paciência para ouvi-lo. Na verdade diluiu-se o púlpito em cápsulas de nada.

Hoje se paga para alguém louvar a Deus. Convidam-se grupos de sucesso, cantores de mídia ou "testemunhadores" profissionais que consigam atrair grande público, aos quais se paga um bom cachê, além de dividir a oferta da noite; práticas essas neopentecostais declaradas, que se transformaram em praxe moderna de cultos protestantes.

Os pregadores perderam a homilética, transformando-a em prática de palestras seculares de auto-ajuda. Não há mais diferença entre prédica, sermão, oratória sacra e palestra de auto-ajuda. A tecnologia, que deveria ser apetrecho para auxiliar os palestrantes, tornou-se moda e muleta, pois os pregadores modernos não sobem ao púlpito sem um notebook e uma tela para datashow. Seus sermões estão cheios de cliparts, de powerpoints, de músicas de Yanni ao fundo, um misto de paganismo com palestra empresarial. E os seus temas? "Matando sete leões por dia", "como vencer as barreiras", "a arte de transformar derrotas em vitórias" etc. Geralmente, seus compêndios preparatórios são as publicações da internet, são os ícones da mídia evangélica que publicam em pequenas quantidades as suas adaptações do que aprendem em palestras de hotéis e cursos de vendas. Há pastores que se limitam a comentar as manchetes dos jornais do dia ou ler as orelhas dos últimos livros da editora preferida ou então tecem críticas sobre política, novelas,  esportes ou ainda sobre eventos denominacionais.  Falar sobre Céu, Inferno, salvação, perdição, moral, espiritualidade, ética, tudo isso fica para alguma resenha no boletim ou algum suposto curso teológico para leigos, que geralmente não passa de um livreto americano mal traduzido e mal aplicado. Resultado: igrejas às vezes até cheias, porém fracas, sem bíblia, sem doutrina, sem espiritualidade.

A linguagem no púlpito tornou-se também coloquial. No afã de transformar a prédica em algo inteligível para todos, ousou-se mudar também a língua, rebaixando-a ao seu mais ínfimo nível. Assim, não é raro ouvir palavrões na pregação. Palavras feias, chulas, frases de mídia, chavões, português mal aplicado, tudo ao gosto da modernidade. Assim como a mídia faz questão de trazer a linguagem dos antros e dos redutos da imoralidade para a tela e para os lares, os púlpitos refletem também a mesma pobreza, mau gosto e qualidade: púlpitos feios, chulos e pecaminosos.

As igrejas batistas passaram a não se distinguir mais em seus distintivos. Assim, intercambiar ou fazer coisas com igrejas de qualquer fé e ordem transformou-se em algo normal. Já é possível ver vigílias entre igrejas batistas, pentecostais e neopentecostais. É comum ver igrejas batistas e igrejas católicas realizando atos sociais e cultos ecumênicos. Tornou-se prática habitual a realização de "marchas para Jesus" ou "louvorzões" ou "congressos", com "ministrações" pentecostais em seu bojo. Pastores batistas, inclusive pessoas da diretoria da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil e das convenções brasileira e estaduais, participam de organizações de pastores ecumênicos, onde seus presidentes são "apóstolos" ou "bispos", sem o menor constrangimento. Numa convenção estadual, o seu executivo é tesoureiro de uma organização ecumênica de pastores. Com efeito, os limites do aceitável e do não recomendável transformaram-se em nada!

O ministério pastoral batista transformou-se de forma aviltante. Hoje nós já temos apóstolos. Sim. O que era considerado heresia há cinqüenta anos (era consenso geral que apóstolos foram as testemunhas oculares do ministério de Jesus, incluindo sua morte e ressurreição e estava restrito aos doze, ou, quando muito, ao grupo próximo dos doze),  hoje transformou-se, pela atual ciência da má interpretação bíblica, uma "opção ministerial", uma "restauração do ministério cristão". Tomou-se o termo, deu-se a tradução e aplicou-se de forma contemporânea a sua eficácia. Então, temos hoje, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, os primeiros apóstolos batistas convencionais.

Não diferindo na má interpretação hermenêutica, temos atualmente pastoras. Mulheres, que antes serviam a Deus nas qualificações e ministérios bíblicos claros e definidos, agora invadiram o pastorado também. Claro, sob a ótica e a égide dos tempos modernos, das supostas "conquistas", as mulheres precisavam tomar também esse "reduto machista", que é o ministério pastoral. Já temos mais de duzentas pastoras batistas convencionais. Os seminários batistas não apenas aceitam a realidade como já mantém cursos específicos para suprir essa "demanda eclesiástica". Há cinqüenta anos isso era impensável, porém hoje se considera "pecado" e "opinião politicamente incorreta" ser contra o pastorado feminino.  Nossas instituições cooperativas posicionam-se cada vez mais favoráveis. E os pastores que mantém sua fé cristã batista ortodoxa são cada dia mais execrados, sem espaço, sem opinião, fadados e relegados ao ostracismo e à marginalidade funcional.

Com tudo isso, a nova moralidade também tomou conta de nossas igrejas. Não há mais limite entre o sacro e o profano. Hoje há bailes dentro das igrejas. Há festas de fantasias. Há "baladas". Casamentos há que terminam seus festejos com verdadeiras discotecas nos salões sociais. A bebida alcoólica transformou-se em coisa comum. O sexo entre jovens e adolescentes agora é tolerado. Há igrejas distribuindo preservativos às uniões de jovens.  Há acampamentos que terminam em bebedeira. Há igrejas batistas que participam do Carnaval com escolas de samba e com bailes de máscaras. Estamos numa situação tão ridícula que custa-nos a acreditar. Já há sex-shop gospel!

Junto a isto, soma-se o grave pecado dos "teólogos da corte", frase cunhada por um padre católico ortodoxo. É a mistura entre a Igreja e o Estado, a troca de favores, o recebimento de terrenos do Estado para a construção de igrejas; os pastores a transformar seus púlpitos em plataformas políticas ou em trampolins para se lançarem candidatos a funções públicas, igrejas que se tornam meros centros de convivência social a serviço da política, congregações que recebem verbas do governo para realizar aquilo que deveriam fazer às suas próprias expensas. É o mesmo que aconteceu com Israel no passado, é o mesmo que aconteceu com a igreja romana e Constantino, e é o mesmo que acontece agora entre batistas e os partidos trabalhistas ou governamentais desta época. Religião e política misturadas.

A nossa Ordem de Pastores está realmente representando o ministério pastoral batista? Está ela contribuindo para a nossa edificação, reciclagem teológica, fundamentação bíblica e compartilhamento fraterno sadio? Ou estaremos nos tornando "peixes fora d'água" no meio de um oceano de novidades e de práticas incompatíveis com os ensinamentos bíblicos que recebemos e nos quais cremos? 

A impressão que se tem é que temos que pedir desculpas aos colegas cada vez que nos afirmamos cessacionistas ou que não apoiamos o ministério pastoral feminino ou que não cremos em apóstolos modernos ou que não aceitamos sistemas mirabolantes de crescimento ou que divergimos de campanhas esdrúxulas de 40 dias, de 100 dias, de semanas ou de novenas.

Parece que é crime ser batista tradicional e clássico no meio dos colegas modernos, que são a vasta maioria. Somos considerados retrógrados, quadrados, ultrapassados, imbecis, xiitas, conservadores, fundamentalistas, reacionários, museus ambulantes, doentes mentais etc. Para um bom convívio, temos de dizer que "juntos somos mais" ou  "minha vida, impacto para as nações". Temos que receber os dvds das juntas missionárias cheias de coreografias e aceitar isso como bom. Temos que cantar a mesma música, rezar na mesma cartilha, praticar a mesma campanha, bajular os mesmos ícones, ler as mesmas aberrações, tudo em nome do "bom convívio e da harmonia". E bem sabemos: não seremos convidados sequer para fazer uma oração silenciosa, uma vez que os cargos são marcados, numerados e direcionados a quem aglutina, a quem bajula, a quem aceita tudo.

Não foi isso que os saudosos pastores Salvador Farina Filho e Rubens Lopes,em São Paulo, e José de Souza Marques, na Bahia, pensaram, ao criarem as ordens de pastores batistas de São Paulo e do Brasil, respectivamente (1942 e 1940).

Sem nenhum cunho separatista ou de cisão pela cisão, queremos registrar o nosso protesto contra toda essa situação teratológica que vivemos neste início do século XXI e fazer uma proposta para ações concretas de retorno à sensatez, à sã doutrina e aos valores basilares de nossas instituições.

Nós protestamos.

Protestamos contra a dança e a coreografia no culto que prestamos a Deus e em nossas igrejas batistas. O culto que agrada a Deus não é estético, é espiritual; não é profano, é sacro; não é fundamentado na sociologia e na antropologia, mas na teologia.

Protestamos contra as igrejas batistas que transformaram suas plataformas de púlpito, obreiros e músicos em palcos para a realização de espetáculos! O culto não é show!

Protestamos contra aqueles que defendem os dons de sinais como contemporâneos às igrejas. Protestamos contra os atuais profetas de igreja, contra aqueles que dizem receber revelações extra-bíblicas, contra aqueles que dizem ter "ministrações" em português ou em línguas estranhas.

Protestamos contra a teologia da prosperidade, que invade a nossa teologia e os nossos cultos, escravizando o povo ao mero sucesso financeiro em detrimento da verdadeira riqueza celestial!

Protestamos contra as unções que inventaram para a atualidade! Nós não cremos - e desafiamos quem crê -   a mostrar-nos nas Escrituras Sagradas as tais "unção de primogenitura", "unção de conquista", unção apostólica" ou quaisquer outras!

Protestamos contra a existência de apóstolos modernos, pois não houve nem sucessão nem restauração deste ministério. Eles, os bíblicos, foram suficientes e foram escolhidos por Cristo. Nós somos apenas auxiliares do Supremo Pastor, nada mais que isso. Não há mais apóstolos!

Protestamos contra sistemas de crescimento de igreja que tendem a transformá-las em fábrica de adeptos ou postos de venda de grandes indústrias religiosas. Protestamos contra esquemas mirabolantes de ampliação e de modificação de igrejas, à luz de supostos líderes evangélicos que mantém fé dúbia e pouco ortodoxa! Protestamos contra G12, M12, contra Igrejas Com Propósitos ou qualquer outro sistema que queira impor uma eclesiologia diferente a uma igreja batista!

Protestamos contra o pastorado feminino! Mulheres e homens são iguais perante Deus; mulheres e homens têm livre acesso ao Senhor. Mas mulheres têm funções diferentes das dos homens e nas páginas da bíblia não foi confiado às mulheres o ministério pastoral. Isto não as desmerece diante dos homens. Deus nos criou com ministérios diferentes e nós  ainda cremos na Bíblia sem precisar mudá-la, ampliá-la ou adaptá-la! Não reconhecemos o ministério pastoral feminino batista!

Cremos na Bíblia como única Palavra de Deus, inerrante, verdadeira, fiel, isenta de manchas ou erros. Nós cremos na Bíblia e só na Bíblia. Não precisamos de novos intérpretes, novas versões ou traduções contemporâneas para compreender qual é a Palavra de Deus revelada. Protestamos contra as versões modernas e adulteradoras da Palavra e não aceitamos a chamada re-leitura das Escrituras!

Protestamos contra o culto antropocêntrico, que faz do homem e de suas necessidades a razão de ser das atividades eclesiásticas e religiosas. Protestamos também contra todo culto que não seja direcionado a Deus! Protestamos contra o culto que exalta o homem e que busca a glória humana!

Rejeitamos o ecumenismo e não admitimos uma fé misturada com paganismos, tradições, modismos e  com opiniões meramente humanas. Protestamos contra igrejas batistas que perderam os seus distintivos, os seus princípios, as suas raízes e se tornaram meras agremiações liberais religiosas!

Protestamos contra as organizações eclesiásticas dominadoras, que querem transformar as igrejas em entidades dirigidas por uma convenção ou associação. Nós ainda cremos na autonomia das igrejas locais e na independência das igrejas! Cremos na cooperação dos batistas, mas não na intromissão das entidades na administração local. Protestamos contra a tendência atual de bispado e de sedes eclesiásticas para batistas!

Protestamos contra o modernismo religioso, contra o liberalismo teológico, contra o evolucionismo e neopentecostalismo que já encontramos em nossas literaturas batistas e em nossos seminários infiéis.

Sim. Somos protestantes.

E, à luz do nosso protesto, anunciamos aos colegas, aos pastores que ainda vêem com seriedade o ministério cristão batista: criamos uma nova ordem alternativa de pastores. Uma ordem baseada em nossa comunhão batista clássica, em nossas raízes e aspectos distintivos, em nossa comunhão cristã ortodoxa e sem liberalismo. Uma comunhão de pastores concordes, que pensam da mesma maneira, que lutam a mesma batalha, que possuem a mesma opinião. Uma ordem que nos dê um rumo, uma luz, um norte, que seja um referencial, que tenha a seriedade de assumir posições, que sirva de organização em nível geral de colegas de opiniões semelhantes. Que seja uma entidade com VEZ e VOZ, que expresse aquilo que muitos de nós gostaríamos de dizer mas que, infelizmente, nem sempre poderíamos ser ouvidos isoladamente. Uma ordem de pastores batistas clássicos, conservadores, tradicionais, bíblicos.

"Andarão dois juntos se não houver entre eles acordo?" Amós 3.3.

Esta ordem terá critérios claros para os seus membros. Os critérios seriam exatamente aqueles que foram foco do protesto que fizemos logo acima, fruto da observação de todas as coisas que nos causam tanto aborrecimento e perplexidade.

Esta ordem se transformará num autêntico "selo de qualidade de obreiro batista". Quem for associado dela terá uma recomendação muito boa a seu respeito, pois seus membros serão reconhecidos como bem doutrinados, conhecedores da Palavra de Deus, de moral ilibada e de vida espiritual reconhecida. Assim eram os pastores da Ordem dos Pastores antigamente.  A nossa carteirinha, à moda antiga, com páginas para carimbo.

Esta Ordem promoverá a comunhão entre os obreiros de mesma opinião. Tal comunhão seria conseguida através de correspondências, encontros, redes sociais, amizades verdadeiras, discipulados, "pastoreamento" entre os colegas, bem como o compartilhamento de experiências.

Também preparará novos obreiros. É bom que se diga que não é o seminário que faz o bom pastor. Muitos dos nossos pioneiros eram autodidatas, não fizeram cursos formais de teologia. Infelizmente, hoje há seminários que mais estragam os candidatos do que os preparam para o ministério. A nossa ordem poderá desenvolver o seu próprio preparo teológico para os seus obreiros, com seminário à distância, e/ou presencial, publicação e recomendação de boas literaturas teológicas para os seminaristas. No caso de concílios, poderemos ser consultados pelas igrejas dos colegas, para o exame dos mesmos e a sua recomendação ao ministério pastoral. Os nossos critérios serão claros e não políticos.

A nova Ordem poderá promover CONGRESSOS DE DOUTRINAS BATISTAS. Prepararemos um currículo e um curso apostilado de nossa Ordem, para que os colegas ensinem às igrejas as matérias concernentes ao assunto. Será uma excelente contribuição ao trabalho batista.

A nova Ordem poderá trazer à comunhão obreiros decepcionados com o sistema. Não somos os únicos. Somos apenas uma pequenina parcela de pastores que ficaram aquém da máquina denominacional. Há muitos colegas que não participam mais e não falam mais, pois divergem do que vem acontecendo. Tais colegas, ao tomar conhecimento de nossa agremiação, poderão motivar-se a cooperar, a contribuir, a participar e, assim, a acrescentar sua boa experiência a serviço de nosso ministério.

A nossa Ordem terá uma página na internet. Nessa página teremos tudo a nosso respeito: a nossa história, os nossos distintivos, a nossa agenda, os nossos associados, os nossos artigos, as nossas igrejas, as nossas propostas, as nossas opiniões, enfim, será uma autêntica SALA DE IMPRENSA ao grande público, mormente à denominação batista, que, queira ou não, terá que nos ouvir e terá que nos respeitar.

A nossa Ordem poderá editar lições bíblicas para a EBD e publicar livros sobre o ministério e ciências bíblicas. Seremos uma espécie de ressurreição da Casa Publicadora Baptista, com jornal e tudo. Por que não? Não foi com 16 hinos que Salomão Luiz Ginsburg começou um hinário chamado CANTOR CRISTÃO?

Nós, os pastores batistas concordes e convocados para esta momento, organizamos uma aliança de pastores, nos dizeres de José de Souza Marques em 1940 ou uma ordem de pastores batistas, nos dizeres de Salvador Farina Filho em 1942.

Trilharemos o caminho de volta aos valores antigos, às origens, às publicações clássicas antigas, ao procedimento pastoral bíblico e trabalharemos com afinco neste propósito, dando a nossa parcela de contribuição à denominação, num contraponto à situação terrível que o ministério pastoral batista se encontra.

Criamos a ORDEM DOS PASTORES BATISTAS CLÁSSICOS DO BRASIL, mas poderemos estendê-la a todos os pastores batistas conservadores lusófonos pelo mundo. Nossa agremiação pode acolher outros colegas que assinem o mesmo manifesto e aceitem as mesmas condições e não se exige dos seus membros abdicação ou desfiliação da OPBB ou outras instituições afins.

Este é o nosso manifesto. Que Deus nos ajude!

Carapicuíba, São Paulo, Brasil, 26 de maio de 2012

Assinam este documento:

Pastor Wagner Antonio de Araújo
Pastor da Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel, em Carapicuíba, São Paulo, Brasil

Pastor Messias José dos Santos
Pastor da Primeira Igreja Batista em São José do Rio Pardo, São Paulo, Brasil

Pastor Gilson Celestino dos Santos
Pastor da Primeira Igreja Batista Holística de Vila Formosa, São Paulo, Brasil

Pastor Samuel Lima de Oliveira
Pastor da Primeira Igreja Batista em Jardim Fortaleza, Vargem Grande do Sul, São Paulo, Brasil

Pastor Marcos Gesiel Laurentino
Pastor da Igreja Batista Fundamental em Araguari, Minas Gerais

Pastor Ibraulino Batista de Souza
Membro da Primeira Igreja Batista da Penha, São Paulo, Brasil

Pastor Eliseu Lucas
Pastor da Missão Batista Raízes em Guaxupé, Minas Gerais,
congregação da
Primeira Igreja Batista em Mococa, São Paulo, Brasil

Pastor Wilson Pereira Martins
Pastor da Igreja Batista do Bairro do Limão, São Paulo, Brasil

Pastor Aparecido Donizete Fernandes
Pastor da Igreja Batista Sinai, São Paulo, Brasil


Aos pastores batistas interessados e a quem
queira maiores informações:
E-mail da OPBCB: opbcb2012@gmail.com


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Eu? Servo?


   Falar de serviço em nossos dias é algo muito difícil. O materialismo, fomentado em parte pelo desenvolvimento econômico que temos desfrutado em nossa nação, nos levou a um contexto onde o termo ‘serviço’ ganhou a conotação de atividade remunerada. Algo que se faz em troca de uma recompensa, seja financeira ou não.
      Servir é algo que não gostamos muito de fazer. Preferimos ser servidos. Servimos-nos de coisas das mais diversas para facilitar nossa vida ao máximo. Pior mesmo é quando passamos a nos servir de pessoas. Alguém disse certa vez que antigamente amávamos as pessoas e usávamos as coisas, mas hoje nos tornamos tão mesquinhos ao ponto de amar as coisas e usar as pessoas.
     Isso devia nos causar vergonha! Sabe por quê? Porque quando olhamos para o Novo Testamento nos deparamos com a realidade de que Deus deixou sua glória na pessoa de Seu Filho Jesus e se tornou um servo. E ‘servo’ significa escravo, alguém que não tem vontade própria, que se anula em função daquele que é seu senhor, ou o alvo de seu serviço.
    Assim Deus dá um “tapa de luva” nessa geração auto-suficiente que, cheia de si mesma, vive um cristianismo sanguessuga: me dá, me dá, me dá! Deus nos confronta quando traz à nossa visão a imagem do Cristo crucificado, derramando seu sangue em favor dos mais vis pecadores: eu e você.
Sim, eu e você fomos chamados a ser servos. Fomos chamados a eliminar nosso senso de auto-satisfação e viver em função de satisfazer Àquele que por nós morreu e ressuscitou (2Co 5.15). Fomos vocacionados por Deus para glorificá-lo em serviço de amor a Ele e ao seu povo.

     Nas Palavras de Paulo: “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz!”. Filipenses 2:5-8 (Nova Versão Internacional)
     Que Deus tenha misericórdia de nós!
     
Marcelo Batista Dias 

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Por uma espiritualidade equilibrada


Estou escrevendo este a artigo em resposta ao artigo “Por uma espiritualidade cheia de tesão”, postado no Pavablog. Leia o texto e o comentário que deixei logo após ele.
Queridos irmãos em Cristo, não sejamos tão néscios. Em toda a Escritura somos chamados ao equilíbrio. Por isso qualquer proposta religiosa que nos faça pender mais para um lado do que para outro deve ser rejeitada.
Estou escrevendo a favor de uma espiritualidade equilibrada.
Uma espiritualidade onde o conhecimento racional de Deus não seja descartado em detrimento de um busca por sensações passageiras que precisem ser repetidas periodicamente.
Uma espiritualidade que não dependa de musica alta, ritmada, melancólica ou exaltada para que eu possa “sentir Deus”.
Uma espiritualidade que não seja embotada e relegada aos livros de teologia, aos estudos dominicais ou às reuniões de grupos familiares, mas que extrapole os limites geográficos. Uma espiritualidade que nos acompanhe em cada momento de nossa vida, desde o acordar a te ao deitar.
Uma espiritualidade viva, real, cheia do amor de Deus e por Deus.
Uma espiritualidade que não se alcança com rituais exóticos, simples, elaborados, tradicionais ou de qualquer tipo.
Uma espiritualidade fruto de um relacionamento com Deus. Que desfruta de uma intimidade que provém de temor e não de libertinagem.
Uma espiritualidade que una conhecimento, paixão e vontade. Que nos inunde com a teologia. Que nos faça suspirar. Que saia da cabeça e do coração e desça para as mãos.
Equilíbrio. Sensatez. É disso que precisamos.
Que Deus nos ajude

sábado, 14 de abril de 2012

PARA NOSSA ALEGRIA


Tenho insistido com os membros de minha igreja quanto a viver para a glória de Deus. E ao fazer isso, muitas vezes dou a impressão de que a vida cristã não é muito agradável tendo em vista que, o real objetivo da vida, não é obtermos satisfação e sim satisfazermos a Deus. É o que aparentemente transmitem as palavras de Cristo: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16.24).
Aparentemente, pois isso parte de nossa concepção errada de autonegação. Temos a tendência de pensar que viver para a glória de Deus é simplesmente abrir mão de toda alegria pessoal, ou aceitar a infelicidade de momentos difíceis só porque Deus quis assim.
Contudo o real ensino sobre a glória de Deus nas Escrituras não aponta para uma vida de infelicidade ou de conformismo religioso. Ele aponta na verdade para uma vida cheia de felicidade plena e verdadeira que encontra fundamento exatamente na pessoa de Deus.
Estou dizendo que não pode haver nada que produza mais felicidade na vida de um homem do que viver para a glória de Deus. E isso porque quanto mais Deus é glorificado, mais nossa alma é satisfeita. E como podemos glorificar cada vez mais a Deus? Satisfazendo-nos N’Ele. (John Piper)
O raciocínio é simples: quanto mais eu sinto prazer em Deus, mais tenho desejo de fazer sua vontade. Quanto mais busco viver segundo a vontade de Deus, mais Ele é glorificado. E quanto mais Ele é glorificado em mim, mais ainda minha alma é satisfeita. Como está escrito: “Agrada-te do Senhor e ele satisfará os desejos do teu coração” Slm 37.4.
       Assim meus queridos e amados irmãos, vivamos intensamente para a glória de Deus. Buscando satisfação apenas no que seja relacionado a Ele. Reconhecendo que a presença de Deus é deliciosa (Slm 16.11). Sentindo prazer em fazer Sua vontade (Slm 40.8). Pois tudo que Deus é, e o que ele faz, é para Sua glória e para nossa alegria!


Marcelo Batista Dias

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Pobreza - Tipo: Exportação


"País rico é país sem pobreza".
Este é o lema do governo da presidente Dilma Roussef. O objetivo é fazer com que o Brasil, um país em desenvolvimento, erradique a pobreza como sinal demonstrativo de sua riqueza.

Mas ao invés de erradicar a pobreza, o país resolveu exportá-la para outras nações. E começou exportando, as músicas do Michel Teló.
O hit "Ai se eu te pego", ganhou uma versão em inglês e um clip apresentado ontem (15/01) no Fantástico. 
Espero que a iniciativa dê certo e que o país consiga mandar pra bem longe essa pobreza cultural, moral, musical e porque não, mental.
Que Michel Teló faça muito sucesso lá fora e se mude de vez levando em sua bagagem toda a pobreza de suas músicas e todos aqueles que como ele contribuem para a miséria cultural de nossa nação.
Amém!
Marcelo Batista Dias


sábado, 7 de janeiro de 2012

Rumores de um Novo Mundo


Ano vai, ano vem, mas os dias permanecem iguais. Todos os anos os mesmos acontecimentos se repetem: enchentes, alagamentos, pessoas perdendo seus bens, sua vida... Mais um ano vem aí e com certeza estes estarão presentes. Vários anos novos surgem, mas o mundo permanece o mesmo velho mundo. 
Uma pergunta surge em meio a tantos acontecimentos caóticos: “o que está acontecendo com este Mundo”?
A resposta Bíblica é que a criação está agonizando as dores do pecado. Vemos isso em Rm 8:22 quando Paulo diz que “toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora”. Essas angústias e dores da criação são efeitos do pecado sobre todo o cosmos. O pecado afetou o homem e a criação (Rm 1.18-26; Gn 3.17).
Contudo Paulo fala também que a criação está ardentemente esperando “a revelação dos filhos de Deus” (v.19). Mas a que revelação ele se refere? Com certeza não é da influência cristã sobre o mundo. Paulo não está dizendo que quanto mais os cristãos se reproduzirem e se manifestarem ao mundo, melhor ele vai se tornar. Isso é apenas utopia. O Mundo como conhecemos está sendo entesourado para o fogo – 2 Pe 3.7.
A Bíblia fala de “novos Céus e nova Terra”. Ela jamais falou de Céu na Terra. A revelação que a criação aguarda é o Grande Dia. O Dia em que das alturas virá o Senhor da Glória para resgatar seu povo e sua criação. O Dia em que serão expostos todos os pensamentos e todo íntimo de todo homem no grande julgamento final ante o tribunal de Deus. Os acontecimentos e fenômenos naturais que vemos são prenúncios de que este Dia se aproxima. São rumores de um Novo Mundo que está mais próximo do que podemos imaginar.
Isso nos desperta para a realidade de que não vale a pena entesourar para esta vida. Não vale pena viver com os olhos voltados para baixo, para os valores deste mundo, para a busca frenética dos nossos dias por satisfação e conforto material.
Nossa vida deve ser investida no Tesouro que não se perderá jamais (Mt 6.20) – no Céu. A Glória de Deus é nosso alvo. Devemos viver olhando para o céu, aguardando a volta de nosso Senhor Jesus. Devemos viver nesse mundo nos preparando para o Novo Mundo. 
Enquanto os Novos Céus e Nova Terra não chegam, vivamos aproveitando esta vida para fazer do centro de nossa existência, o Autor da Vida. Não devemos com base no que mencionei, desprezar a criação e tratá-la com descaso, como muitos de nós vimos fazendo. Antes devemos cuidar dela e zelar pelo bom cultivo do "jardim" que Deus nos deu.
E também devemos aproveitar estas catástrofes para interceder e estender nossas mãos em favor dos sofridos, assistindo materialmente, mas de modo especial, levando a esperança em Cristo, de um mundo novo e melhor no porvir. 

Marcelo Batista Dias

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Isso é Graça

Este vídeo mexeu comigo e vai mexer com você também. Pelo menos se você for capaz de entender o que de fato é a graça de Deus.
A graça de Deus não é essa nojenta doutrina da prosperidade que andam clamando dos eirados por aí.
A graça de Deus é isso aí.
Veja com seus próprios olhos.


http://www.youtube.com/watch?v=Qtkqn4wIK5s&feature=related

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Socorro! Eles querem me pegar!

Revoltado. Esta é a palavra que melhor me descreve neste momento. 
Estou revoltado com a revista Época que dedicou 11 páginas da edição desta semana para tentar convencer que: "COM SEU SUCESSO 'AI SE EU TE PEGO', O CANTOR PARANAENSE MICHEL TELÓ TRADUZ OS VALORES DA CULTURA POPULAR PARA OS BRASILEIROS DE TODAS AS CLASSES". 
E olha que nem é porque eu não sou muito fã de sertanejo não.
Estou revoltado porque eu sou povo e os valores que Michel transmite em suas músicas não são meus valores.
E não apenas eu, mas milhares de brasileiros foram ofendidos com a reportagem da revista. 
Estou revoltado porque a reportagem afirma que "Teló consegue ser sapeca na medida certa para provocar o riso - mas sem ofender os valores familiares". Que valores familiares ele transmite em suas músicas? Quem foi que disse que balada é um lugar de valores familiares? Se meus pais soubessem o que rolava nas baladas que eu ia quando mais jovem (e não crente) jamais me deixariam ir. 
Que valor familiar existe em "o jeito é dar uma fugidinha com você, primeiro a gente foge depois a gente vê"?
Os "valores" que Teló transmite são desprezo ao corpo marcado pela banalização do sexo apenas como meio de satisfação física. Banalização dos relacionamentos como na musica citada acima, onde o que importa é "dar uma fugidinha" (e não sejamos ingênuos, todos sabem o que isso significa) sem se preocupar em estabelecer qualquer vinculo afetivo - nem o nome, que faz parte da personalidade do individuo interessa - o que vale é a satisfação física em primeiro lugar. E isso sem considerar a pobreza musical das canções. 
Respeito o Michel. Não tenho qualquer intenção de ofendê-lo. Mas acho que ele deveria ser apontado, como de fato é, como um cantor que atende aos valores de parte da sociedade brasileira e não de sua totalidade como a reportagem mostrou. Tem quem goste e se divirta com isso, mas eu, e milhares de pessoas não!
Michel representa parte da cultura brasileira. Uma parte específica, ainda que composta por uma parcela imensa da sociedade, mas é apenas uma parcela e não o todo.
Estou revoltado com esta mídia tendenciosa que, fingindo ser parcial, eclética, na verdade tenta empurrar "goela abaixo" valores que nem todos aceitam como válidos. Atrás da palavra 'democracia' usada por eles, está na verdade um totalitarismo que junta num mesmo cesto todos os membros de uma nação de mais de 190 milhões de pessoas e rotula como quer. Isso me revolta!
Que grande parte de nossa nação esteja em queda livre no que diz respeito a valores morais e familiares, bem como a democracia, isso eu até compreendo. Aliás não espero o contrário. A tendencia natural do homem é se corromper cada vez mais e o que é tido como evolução, é na verdade um processo involutivo. Isso eu compreendo. 
O que eu não consigo aceitar é ser colocado num liquidificador cultural e ser apresentado como brasileiro ao mundo com a cara e a cultura do Michel Teló. tenho a minha própria cara, que não é lá tão bonita, nem famosa, nem rica, mas é minha, e não aceito que troquem ela por outra.    
O que mais me revolta ainda é ver o mundo gospel, no qual eu também sou (contra minha vontade) incluido copia essas coisas. Duvida!? Veja só isso aí em baixo. Deus me livre de ser gospel!


Marcelo Batista Dias 
  


sábado, 31 de dezembro de 2011

Feliz Coração Novo


 Feliz Ano Novo! Normalmente é assim que saudamos as pessoas que amamos quando entramos em um novo ano. O desejo expresso nessa frase é de que o ano recém chegado seja muito melhor que o ano que passou. Mas o que faz um ano novo, ou melhor, que outro? O que torna realmente novo o ano que se inicia?
Pensando naquilo que Salomão diz em Ec 1.4-11 vamos perceber que de novo, o ano que se inicia não trará nada. Não estou sendo pessimista, mas é que se esperamos que o mundo vai melhorar, que as lutas vão diminuir, que os problemas vão se acabar, estaremos sendo ingênuos demais. As tragédias naturais vão continuar acontecendo, a miséria de muitos continuará a existir, as dificuldades de relacionamento ainda persistirão... enfim do ponto de vista humano não haverá nada de novo debaixo do sol.
O que realmente faz um ano novo é a forma de olharmos os mesmos problemas que enfrentamos no passado e ainda enfrentaremos no futuro. O que faz um ano melhor são as reações individuais a cada circunstância que se repete de formas diferentes. O que faz um ano novo é uma disposição nova do coração de cada um de nós. Isso torna um ano realmente novo - um coração novo!
Por isso queridos leitores, irmãos e amigos, não lhes desejarei um feliz ano novo se isso significar que as mesmas atitudes erradas que cometemos continuarão a existir. Não lhes desejarei um feliz ano novo se continuaremos a encarar nossa vida apenas como um fim em si mesma. Não lhes desejarei um feliz ano novo se nossos corações continuarem os mesmos e nossas vontades e desejos permanecerem apenas auto centradas.
Quero lhes desejar um feliz coração novo! Quero lhes desejar que neste ano que se inicia vivamos voltados de corpo e alma para Aquele que de fato faz a vida ter sentido.
Que todas as bênçãos recebidas sejam dedicadas para glória de Deus! Que toda luta pessoal seja vivida para a glória de Deus! Que todos os nossos relacionamentos sejam para a glória de Deus! Que todos os nossos dons e talentos, empregos e atividades diversas sejam realizadas, dentro ou fora da igreja, sempre e sempre para glória de Deus! 
Aí sim, se esta for a realidade em nossas vidas, mesmo que eu e ninguém mais lhes desejem um feliz ano novo, com certeza ele será extremamente feliz, de tal forma que eu você jamais acreditaríamos que fosse.
Feliz Coração Novo!
Feliz Ano Novo!     

Marcelo Batista Dias 

sábado, 24 de dezembro de 2011

Nem Chester, Nem Panetone



Chegou o Natal!!! As luzes e as belíssimas decorações das lojas brilham intensamente. Dos meios de comunicação saltam as propagandas daquelas aves típicas que só aparecem nesta época. Nunca vi uma criação de Chester, nem de “Ave-Fiesta” ou de qualquer uma destas penosas natalinas. Elas só vivem e morrem neste período. Outro que só aparece no Natal é o tal do Panetone. São produtos de época assim como alguns cristãos.
Preste atenção nestas palavras: “Jesus ficou o ano todo trancado em um armário. Hoje o tiraram porque está chegando o Natal; passaram nele o espanador, o lavaram, o enfeitaram e cobriram seu corpo com papéis coloridos. Puseram-no na árvore com estrelas e velas entre guirlandas e neve feitas com fibra de vidro”. Tais palavras foram escritas por Facundo Cabral, um escritor argentino não crente. Neste texto ele ironiza o que a sociedade fez do Natal – uma data para amenizar o descaso com o Jesus que ela ignora o ano inteiro. E infelizmente muitos crentes têm feito isso também.
Muitos cristãos vivem o ano todo ignorando os ensinos de Cristo em sua vida diária. Esquecem de sua vida, ministério e obra. Mas quando chega o Natal, tiram Jesus do fundo do baú e o colocam nos lábios. Apenas nos lábios. Nunca no coração.
O problema é que essa atitude não livra ninguém da condenação do inferno. Em Mt 7.22,23, Jesus condena aqueles que viviam uma confissão de fé meramente labial, que não fazia diferença no resto da vida deles, a uma existência eterna no inferno – “apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade”.

Por isso meu irmão, não seja um “crente-chester”, nem um “panetone-gospel”. Não seja cristão por conveniência ou de época. Entenda o que Cristo fez em toda sua vida. Ele fez o que fez para que eu e você vivêssemos o ano todo e a vida toda sob os efeitos de sua vida e obra, e não apenas de seu nascimento. 

Feliz Natal.

Marcelo Batista Dias

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O Outro Lado do Natal

É preciso que todos nós entendamos o que se passa nesta época.
Vemos declarações de alegria e votos de felicidades fundados no princípio do Natal.
Jesus nasceu! Que alegria! Comamos! Bebamos! Compremos! Compremos! Compremos!
Mas será que há de fato tanto com que se alegrar?
Será que há de fato tanta razão de se festejar?
Não sou pessimista, legalista ou tradicionalista.
Sou reformado e por isso mesmo sou realista.
A realidade do Natal é uma realidade de alegria sim. 
Mas tal alegria não pode ser jamais desvencilhada da tristeza real que motivou o Deus vivo e verdadeiro a se encarnar e vir a este mundo, numa atitude de humilhação tal que, nenhum de nós, por mais destratados que sejamos seremos capazes de viver.
Me dê 35 minutos dos seu tempo.
Aiás não! Se dê 35 minutos do seu tempo e assista a esta exposição da Palavra de Deus feita pelo Rev. Heber Campos sobre o outro lado do Natal.
O outro lado, que as luzes dos piscas-piscas e das lojas dos shoppings nos impedem ver.

Marcelo Batista Dias



O Outro Lado do Natal from IPP on Vimeo.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Avivamento e Reforma



No dia 31 de outubro passado foram celebrados os 494 anos da Reforma Protestante do séc. XVI. Gostaria de retornar nossas mensagens sobre avivamento fazendo uma alusão este movimento grandioso que deu origem à Igreja Presbiteriana e outras.
A Reforma foi antes de tudo um grande avivamento na vida da igreja cristã. Sabemos dos mandos e desmandos da Igreja Católica Romana nos tempos de Lutero. E sabemos que aquela igreja estava longe, muito longe do que realmente devia ser a igreja de Deus descrita nas Escrituras.
Lutero amava sua igreja. Ele lutou o quanto pode para fazer com que ela revisse alguns de seus erros e tomasse uma nova postura. Ele não pretendia rachar a igreja. Ele queria apenas que ela mudasse algumas coias. Acontece que a ICAR não aceitou suas proposições e ele portanto teve que romper com ela e bem assim todos os reformadores após ele o fizeram também.
Em Efésios 4.22,23 Paulo diz que devemos nos despir do “velho homem” e em Colossenses 3.5 ele diz que devemos “fazer morrer” nossa natureza terrena. Jesus Cristo nos ensina em Mateus 16.24 que seus discípulos devem negar-se a si mesmos. Todos estes textos falam de ruptura. Todo aquele que deseja servir a Deus de coração precisa romper com seu passado de vida. Isso nos leva a crer que todo momento avivador é um movimento de ruptura.
Todo avivamento precisa ser seguido de reforma. É preciso haver mudança de atitudes. É preciso haver rompimento com práticas pecaminosas e ou religiosas vazias a fim de se viver uma vida verdadeira na presença de Deus. Essa reforma ou rompimento não é opcional, e sim obrigatória. O velho homem tem que morrer, nosso eu tem que ser negado, do contrário não haverá vida em nós.
Assim não adianta elevarmos a “temperatura” dos nossos cultos se não houver mudança de vida nos dias seguintes. Culto agitado não é sinônimo de avivamento, mas sim vidas transformadas, reformadas. Isso sim é um grande sinal de Deus está avivando sua igreja.
Ficam por fim as palavras de A W. Tozer para nossa reflexão: “É inútil grandes grupos de crentes gastarem horas e mais horas implorando que Deus mande um avivamento. Se não pretendemos nos reformar, também não devemos orar”.
Que Deus nos abençoe.

Marcelo Batista Dias
Mensagem publicada em boletim informativo da I P do Ideal, Ipatinga, MG.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Estou...



Estou...
Aqui, mas gostaria de estar lá;
Cansado,
Querendo trabalhar,
Com vontade de dormir,
Querendo desistir,
Com vontade de lutar,
Pensando em partir,
Desejando retornar,
Achando que vou ficar.

Estou...
Com vontade de comer,
Sem fome,
Querendo estar na rua, mas se vou pra rua, quero ir pra casa,
Querendo pedalar,
Querendo caminhar,
Querendo tudo,
Fazendo nada,
Fazendo tudo,
Ganhando nada,
Amando,
Me iludindo.

Estou...
Onde muitas vezes estive,
Onde nunca quis estar,
Onde já gostei de ficar,
Como nunca mais quero estar,
Onde nunca mais vou estar;
Como nunca mais vou ficar, quando enfim Te reencontrar. “Maranata!”

Marcelo Batista Dias

sábado, 13 de agosto de 2011

Simplesmente, Pai...


Seria um dia comum se não fosse pelas palavras que o velho ouviu de seu filho mais moço: “Pai eu quero o que é meu. Dá-me a parte dos bens que me cabe”.

“Que atrevido!” – talvez pensasse o velho. Mas sem muita conversa dividiu a herança e deu ao jovem o que tanto queria. Compreensão de pai...

Entra dia e sai dia, e lá está a cabeleira branca despontando por sobre a porteira da fazenda – “Pode ser que demore muito, mas sei que um dia ele vai voltar. Vê-lo-ei pela estrada. Correrei, o abraçarei, o beijarei...”. Esperança de pai...

Os dias passam lentamente. Mas um dia, de repente, eis que surge o tão esperado. O filho, mendigo, vem cambaleando pela estrada. Maltrapilho, malcheiroso...

Quem se importa! O velho se esquece dos anos que lhe pesam sobre os ombros. Sente a força em suas pernas, e como se fosse o jovem de passados anos, dispara em direção ao vulto cambaleante na estrada. Amor de pai...

Lágrimas. Abraços. Beijos. “Pai me perdoa. Pequei contra céu e contra ti. Faze-me teu escravo. Não posso mais ser chamado de filho”.

“Ouçam todos! Achei meu filho perdido! Tragam as roupas, as sandálias e o anel! Meu filho voltou! Matem o melhor novilho! Chamem os vizinhos! Comamos! Bebamos! Regozijemo-nos!”. Graça de pai...

O filho mais velho vem chegando da labuta. Ouve a musica, vê as danças e se aproxima – “O que está acontecendo? Que festa é essa?” – corre ao pai e, sem acreditar no que vê, dispara contra o velho, mas alegre coração:

“Não posso acreditar papai! Estou sempre com o senhor, e nunca se alegrou tanto por mim! Mas a este desprezador, que gastou o fruto do seu penoso trabalho, dá-lhe esta grandiosa festa?”.

“Meu filho... Tudo o que vês é teu. Sempre estiveste vivo aqui comigo. Nunca lhe neguei nada. Mas teu irmão estava morto, e reviveu, estava perdido e foi achado”. Sabedoria de pai...

Depois de longa conversa, entram os dois festa adentro. Família reunida outra vez. Simplesmente, pai...

Uma homenagem do Ecclesia a todos os pais de plantão. Feliz dia dos pais!

Que Deus os abençoe ricamente!

Marcelo Batista Dias
Pai...

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Graça Comum: Deus é o maestro que criou e que rege toda a sinfonia da criação!


Bem sabemos que depois da queda, o homem foi dominado pelo pecado(Rm 3.23), tornando-se escravo de suas próprias paixões e morto espiritualmente, sendo esta a doutrina já discutida aqui em outro texto, a Depravação Total. No entanto, tal perspectiva nos deixa diante de um sério dilema: em meio à tamanha corrupção espiritual, como pode haver uma sociedade ordenada com princípios éticos, e relações de afeto? Como as estruturas da sociedade não foram devoradas pelo desejo insano do coração dos homens? A resposta dada pelo Calvinismo é só uma: a graça comum de Deus.

Essa questão me foi esclarecida durante a leitura do excelente livro Calvinismo de Abraham Kuyper, teólogo holandês do século passado, onde ele afirma que assim como o homem domestica os animais, e prende ou controla seres selvagens, assim também Deus limita a maldade dos homens, extraindo até mesmo o bem do mal, para que se preserve a criação, entendido neste conceito não somente as coisas naturais, mas também toda a criação intelectual que também vem Dele.

É tal pensamento que nos explica a retidão moral de alguns incrédulos, que apesar de caídos espiritualmente, tem uma conduta séria e comprometida com suas causas, ao ponto de causar admiração. Isto nada mais é do reflexo da graça comum de Deus, que é a interferência mínima Dele para garantir que o mundo não seja destruído pelos corações pecaminosos dos homens. Esta graça é diferente da especial, sendo esta a que conduz a salvação por colocar a fé no caminho do escolhido.

A graça comum é um conceito rico e que nos dá amplas possibilidades de contemplação por caminhos muitas vezes negligenciados por separações equivocadas que foram construídas com base em premissas erradas, como a separação do sagrado e do profano. Neste mesmo livro, Kuyper prega que a cosmovisão calvinista, que nada mais é que a exposição clara e fiel das Santas Escrituras, deve permear todas as esferas do conhecimento humano, e restringir este pensamento ao ciclo religioso, como temos feito, acaba o isolando e entregando as ciências, a política e as artes nas mãos das vãs filosofias, deixando de lado uma ótima oportunidade de glorificar a Deus através destas áreas da convivência humana.

Paulo afirma em colossenses que: “Pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. E ele é antes de todas as coisas. Nele tudo subsiste.” [1] Assim, é uma posição falha o isolacionismo do pensamento cristão que deve abranger com completude o ser humano, já que tudo foi feito por Deus e tem como fim Cristo. Muda-se o paradigma: não me afasto do mundo, mas somente daquilo que é pecaminoso nele..

Mas, dentro do campo vasto onde podemos notar o agir de Deus em lugares onde dogmas infundados nos impediam de ver, gostaria de limitar a análise e me deter na questão da arte, citando o também holandês Hans Rookmaaker, e sua defesa de que a arte não precisa de justificativa: Assim, a arte deve abrir os olhos das pessoas, ou servir como decoração, ou louvor, ou ter uma função social, ou expressar uma filosofia em particular. A arte não precisa de desculpas. Ela possui seu próprio significado que não precisa ser explicado, assim como o casamento ou o próprio ser humano, ou a existência de um pássaro ou flor ou montanha ou mar ou estrela. Todos eles detêm um significado porque Deus os criou. Seu significado é que foram criados por Deus e são por Ele sustentados. Assim, a arte tem sentido como arte porque Deus considerou bom dar arte e beleza à humanidade. [2]

Esta conclusão é bela e instigante: a graça comum de Deus nos agraciou, em meio a tanta corrupção, com a beleza da arte. Ao visitar o museu da língua portuguesa em São Paulo, não pude ter outra afirmação em mente se não esta, e vi verdades eternas em muitas obras de homens que não a conheciam, e esta é a beleza do agir de Deus como maestro na criação, se revelando até mesmo através daqueles que não o conhecem. Este texto é na verdade uma introdução a uma série que pretendo fazer nos próximos meses, analisando sob a ótica da graça comum concepções em canções e poesias sobre a criação, a morte, o amor, o sentido da vida e etc. Além de introduzir, este artigo também nos dará o aporte teórico para esta viagem. Aguardo sugestões para incrementar este trabalho, com indicações de até mesmos outras manifestações artísticas como artes plátiscas e cinema, assim como temáticas para serem tratadas. Termino com um nítido exemplo de verdade de Deus que brota fora dos celeiros eclesiásticos:

Três âncoras deixou Deus ao homem: o amor da pátria, o amor da liberdade, o amor da verdade.Cara nos é a pátria, a liberdade mais cara; mas a verdade mais cara que tudo. Patria cara, carior-Libertas, Veritas carissima. Damos a vida pela pátria. Deixamos a pátria pela liberdade. Mas pátria e liberdade renunciamos pela verdade. Porque este é o mais santo de todos os amores. Os outros são da terra e do tempo. Este vem do céu, e vai à eternidade. (Rui Barbosa) [3]

Jesus Cristo é a verdade!

Deus vos abençoe!

Rodrigo Ribeiro

@rodrigolgd

------------------

Fonte: UMP da Quarta

sábado, 6 de agosto de 2011

Onde está você?


“E chamou o SENHOR Deus ao homem e lhe perguntou: Onde estás?” Gn 3:9

A queda de fato desestabilizou todas as coisas. Toda ordem se desfez no momento em que Adão e sua esposa deliberadamente desobedeceram a Deus. O pecado entrou no mundo e todo o cosmos se desestruturou: “maldita é a terra por tua causa” (3:17).

Contudo, a primeira reação de Deus não foi condenar a Terra, mas procurar o homem. Deus sabia que Adão estava fisicamente no Jardim. Mas apesar de estar fisicamente ali, espiritualmente, o homem estava absurdamente longe de Deus. O “onde” se refere a posição de Adão em relação a Deus. Antes ele estava no convívio perfeito. Na ligação perfeita. Na vida perfeita. Agora ele estava morto. O rompimento foi tão forte, que a realidade espiritual do homem a partir de então, conforme a palavra de Deus, era de morte.

Assim, a questão não era tanto a localização de Adão, mas sua condição. Seu ser, sua essência, sua semelhança com o Criador, se haviam perdido em sua desobediência. A própria resposta de Adão revela isso: “Ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi” (3.10).

Em outras palavras: “Ouvi a tua voz no jardim, e ela já não me era mais amigável. Ouvi tua voz e ela já não me dava alívio. Ouvi a tua voz e ela já não mais fazia meu coração romper de alegria. Olhei para mim e vi que já era o mesmo. Percebi o quão terrível é a minha nudez. Já não sinto mais o desejo de correr em Tua direção para longamente conversarmos. Estou com muito medo...”

Ainda hoje, as coisas seguem a mesma ordem. Primeiro o indivíduo se afasta de Deus, depois todas as coisas ao seu redor começam a ruir. Tudo fica mais difícil. Não me refiro à vida financeira propriamente dita, apesar de esta também poder ser abalada. Nem sempre o afastar-se de Deus, é acompanhado de derrocada financeira. Alguns amigos que se afastaram do evangelho já me revelaram que sua condição financeira até melhorou um pouco. Algumas vezes o contrário é verdadeiro. A gente se aproxima de Deus, e o bolso parece que furou. É bom pra gente aprender a depender mais de Deus.

Mas eu me refiro a muito mais que dinheiro. Refiro-me a todo o sabor que as coisas da vida têm. Tudo se torna mais amargo. Mais doloroso. Conquistar o pão de cada dia se torna uma tarefa maçante, pesada, cheia de desprazer. O chefe é um carrasco. A empresa é uma porcaria. A profissão não é prazerosa.

Até mesmo na hora do usufruto das conquistas. Gastar o fruto do trabalho pode proporcionar leve prazer, mas não preenche as aspirações do coração. Além disso, as coisas que antes causavam náusea, agora se tornam mais atrativas. O pecado ganha sabor. Ainda que seja como comer um pedaço de isopor temperado.

Tudo isso ocorre por quê? Porque o prazer de uma vida enlaçada à vida de Deus, se tornou obsoleto, diante da oportunidade de uma vida “livre”. Porque o “conhecimento do bem e do mal” se tornou mais atrativo que o relacionamento com o Bem em pessoa. Assim troca-se a oportunidade de ser, pelo engano de ter. A promessa da Vida, pela certeza da morte.

Diante disso eu pergunto: Onde está você? Também não quero saber localização, mas a sua condição diante de Deus. Não importa tanto se fisicamente você tem estado na igreja, mas onde está seu ser, sua vontade, seu desejo, seu coração, sua mente, dentro e fora dela.

Lembre-se que tudo o mais na sua vida, dependerá de onde você está. Dependerá da sua relação com seu Criador, e Redentor. Todo o sabor da vida. Todo o prazer de existir. Todo o gozo de ser. Tudo isso e todo o resto dependem totalmente da resposta que você dará a esta pergunta: onde está você?

Marcelo Batista Dias

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Manifesto Cristão


A maior parte do cristianismo evangélico hoje é fundamentado em clichês. A maior parte do nosso cristianismo vem de músicos que se dizem cristãos, e não da bíblia. A maior parte do que os evangélicos acreditam é ditado pela cultura secular e não pela escritura.
Poucos são os que encontram a porta estreita. Consequentemente, as ideias mais populares possivelmente não são os conceitos mais próximos da verdade bíblica. Nos dias de hoje, desconfie de qualquer “Best-seller”. Desconfie de qualquer um que for sucesso ou um furacão de vendas, simplesmente porque a genuína verdade cristã jamais foi e nunca será “digerida” pelas massas. A maior prova disso, é que mataram o seu autor. Se caiu no gosto da maioria é falso. Lembre-se, Jesus se referiu aos seus verdadeiros seguidores como “pequenino rebanho”.
A apostasia que a Bíblia nos advertiu que seria evidente nos últimos dias já está em pleno andamento. Somente aqueles que se mantiverem firmes a Palavra de Deus serão protegidos e salvos. Este remanescente de crentes fiéis será visto como pessoas antiquadas e de mentalidade fechada.
A natureza da salvação de Cristo é deploravelmente deturpada pelo evangelista moderno. Eles anunciam um Salvador do inferno ao invés de um Salvador do pecado. E é por isso que muitos são fatalmente enganados, pois há multidões que desejam escapar do Lago de fogo, mas que não têm nenhum desejo de ficarem livres de sua pecaminosidade e mundanismo. Sem santificação ninguém verá o Senhor.
Os Evangélicos modernos procuram encher suas igrejas de analfabetos bíblicos, convencendo-os que eles irão para o céu, simplesmente porque levantaram a mão e fizeram uma oração, como sinal de aceitação de Jesus como Salvador, e que Ele vai lhes dar o sucesso familiar, social e financeiro, se tiverem um nível de moralidade considerável e forem dizimistas fiéis; o que se constitui propaganda enganosa.
Muitos dizem não ter vergonha do evangelho, mas são uma vergonha para ele. A primeira geração de cristãos pós-modernos já está aí. São crentes que pouco ou nada sabem da Palavra de Deus e demonstram pouco ou nenhum interesse em conhecê-la. Cultivam uma espiritualidade egocêntrica, com nenhuma consciência missionária. Consideram tudo no mundo muito “normal” e não veem nenhuma relevância na cruz de Cristo. Acham que a radicalidade da fé bíblica é uma forma de fanatismo religioso impróprio e não demonstram nenhuma preocupação em lutar pelo que creem.
Você sabia que 80 á 90% das pessoas que “aceitam a Cristo” em trabalhos evangelísticos se “desviam” depois? O motivo de tudo isso tem sido esse evangelho centrado no homem que é pregado nos púlpitos, nas TVs e nas casas, onde o bem-estar e a prosperidade tem se tornado “mais valiosos” que o próprio sangue de Cristo. A graça já não basta mais (apesar dos louvores e acharmos Cristo tão meigo). O que nós realmente queremos é “o segredo” para sermos bem-sucedidos. Desejamos “uma vida com propósitos” para taparmos com peneira o vazio que sentimos. O Vazio de um espírito morto que somente Deus pode ressuscitar. Queremos “o melhor de Deus para nós” nesta vida, no lugar de tomarmos a nossa cruz e de negarmos a nós mesmos. Queremos conhecer “as leis da prosperidade” mais do que o Espírito de Santidade; e, para nos justificarmos, tentamos ser pessoas auto-motivadas e de alta performance, antes de sermos cristãos cuja alegria está em primeiro lugar Nele; e santos bem aceitos pelo mundo a despeito das Palavras de Jesus contrariar esse posicionamento.
A falha do evangelismo atual reside na sua abordagem humanista. Esse evangelho é francamente fascinado com o grande, barulhento, e agressivo mundo com seus grandes nomes, o seu culto a celebridade, a sua riqueza e sua pompa berrante. Para os milhões de pessoas que estão sempre, ano após ano, desejando a glória mundana, mas nunca conseguiram atingi-la, o moderno evangelho oferece rápido e fácil atalho para o desejo de seus corações. Paz de espírito, felicidade, prosperidade, aceitação social, publicidade, sucesso nos negócios, tudo isso na terra e finalmente, o céu. Se Jesus tivesse pregado a mesma mensagem que os ministros de hoje pregam, ele nunca teria sido crucificado.
Hoje temos o espantoso espetáculo de milhões a ser derramado na tarefa de proporcionar irreligioso entretenimento terreno aos chamados filhos do céu. Entretenimento religioso é, em muitos lugares rápido meio de se esvaziar as sérias coisas de Deus. Muitas igrejas nestes dias tornaram-se pouco mais do que pobres teatros de quinta categoria onde se "produz" e mercadeja falsos “espetáculos” com a plena aprovação dos líderes evangélicos, que podem até mesmo citar um texto sagrado fora de contexto em defesa de suas delinquências. E dificilmente um homem se atreve a levantar a voz contra isso.
A maioria dos crentes não acredita que a Bíblia diz o que está escrito: acreditam que ela diz o que eles querem ouvir. Contornar a Palavra de Deus e chamar os nossos desejos de direção divina, só leva à multiplicação do pecado. Há muitos vagabundos religiosos no mundo que não querem estar amarrados a coisa alguma. Eles transformaram a graça de Deus em libertinagem pessoal e muitas vezes coletiva. Se você crê somente no que gosta do evangelho e rejeita o que não gosta, não é no evangelho que você crê, mas, sim, em você mesmo.
Ai de vocês que pregam seu falso evangelho, transformam a casa de Deus em comércio. Vendem seus CDs, vendem seus falsos milagres, vendem suas falsas unções, vendem falsas promessas de prosperidade, enquanto na verdade só vocês têm prosperado. Como escaparão do juízo que há de vir?


"Ao ouvirem isso, muitos dos seus discípulos disseram: "Dura é essa palavra. Quem consegue ouvi-la?" Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele. E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido." Joã 6:60;66-65

- Conteúdo adaptado a partir de algumas ideias e textos de diversos autores Cristãos.

----------------------------------------
Aprovado e subscrito pelo Eclesia.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O Culto na sua igreja é bom?


“O Senhor Jesus Cristo nos ensina que devemos adorar a Deus “em espírito e em verdade” (Jo 4.23-24). No contexto em que o Senhor Jesus proferiu estas palavras, que é o encontro com a mulher samaritana e a discussão sobre o local da adoração a Deus, adorá-lo em espírito significa não adorá-lo em um único local sagrado e exclusivo, como era o templo de Jerusalém, mas em qualquer lugar, desde que a atitude esteja certa. O que importa não é ‘onde’, mas ‘como’”.

Este trecho foi extraído da Carta Pastoral e Teológica sobre liturgia na IPB, produzida no ultimo Supremo Concilio da igreja e distribuído às igrejas locais este ano. Ele nos induz a uma reflexão pessoal sobre o culto que temos oferecido a Deus.

Não é difícil notar que a cultura materialista e imediatista de nossos dias tem interferido significativamente na nossa concepção de culto e vida religiosa. Entramos em um circulo vicioso de trabalho e busca de crescimento pessoal, que a vida religiosa se tornou apenas isso – religiosidade ensimesmada, sem sentido e meritória. Senão vejamos:

Muitos de nós só vai à igreja para cumprir um compromisso formal, ao qual se acostumou ao longo dos anos. Este estilo de religião existe apenas para atender a si mesma. Apenas cumpre com seus costumes e normas. Não há vida. Não há entendimento. Só um mecanismo de retroalimentação onde nem mesmo o individuo religioso cresce, ele apenas incha.

Muitos de nós procuramos a igreja mais intensamente apenas quando necessitamos de oração por determinada situação que estamos vivendo. É uma cultura experiencialista. Cada busca é motivada por um desejo experimental específico como uma casa, um carro, um emprego, um marido ou esposa, etc. A cada desejo conquistado, busca-se outro desejo para substituí-lo a fim de continuar produzindo motivação ao “culto”. Isso é um circulo vicioso. Uma vida em voltas, sem rumo, sem objetivo, sem sentido algum.

E por fim a grande maioria de nós confia que seremos salvos apenas porque estamos em uma igreja. Ainda que neguemos isso, essa é a realidade. Esperamos que Deus nos veja e se lembre de quanto ajudamos nos louvor da igreja, de quanto nos afadigamos nos trabalhos das sociedades internas, ou mesmo de nossos relatórios de final de ano e se compadeça de nós deixando-nos entrar no seu Céu. Isso é religião meritória e não é fruto de fé e graça.

O culto que Deus requer de nós é muito mais que uma mera expressão externa de formalismo religioso. É muito mais que um simples vir, comparecer à igreja e assistir a um culto. Aliás esta é uma expressão que me dói aos ouvidos. Não existe a idéia de “assistir um culto”. Culto é prestado, é oferecido e isso em um exercício, trabalho, serviço pessoal de adoração a Deus. É sacrifício “vivo, santo e agradável a Deus (...) culto racional” (Rm 12.1,2).

Culto é uma expressão interna de uma vida realmente mudada que se prostra com alegria e temor, compreendendo sua real condição de miserável pecador e dependente exclusivamente da Graça do Senhor.

E aí? Continua achando que o culto na sua igreja é bom? Se é, pra quem?

Pense nisso!

Marcelo Batista Dias

E depois do batismo no ônibus....

Quem desejar mais informações pode acessar o Genizah, de onde eu garimpei esta "pérola". O artigo do Danilo dispensa acréscimos.

Metro de Gizuz from Genizah on Vimeo.

De heroína a Jesus.



Estava ouvindo uma música "lado b" da legião urbana chamada "L'age d'or" e o Renato Russo canta uma frase maravilhosa! Ela diz assim: "Já tentei muitas coisas, de heroína a Jesus, tudo que já fiz foi por vaidade".

O que isso quer dizer? Primeiro que não existe diferença entre você se tornar dependente químico ou crente se for pra dar satisfação pra alguém, se for por vaidade. Segundo que ambos feitos com essa motivação só possuem um efeito, alienar as pessoas.

Enquanto estivermos andando com Deus pelo status que Ele pode me dar, pelas bençãos que Ele pode me fornecer, pelo fato de que nos dias de hoje é bom ter uma religião, emitimos um atestado de vaidoso ao nosso ser e investimos tempo em um jesus errado, e quem segue um jesus errado pode desembarcar no céu errado.

A vida não tem graça se eu for um eterno vaidoso. ela só passa a valer alguma coisa quando me reconheço como mero pecador, que foi aceito pela graça de Deus e não por algum merecimento. Os vaidosos vivem se auto elogiando, pra mim, o auto elogio fede. Que nosso ego seja suplantado pelo imensurável amor de Deus que nos convence do pecado, da justiça e do juízo.

E no mais, tudo na mais santa paz!

Bíblia On Line